Brasil adota ‘modelo Gripen’ para computadores da IA de China e EUA

O que o governo quer fazer ao comprar esses dois supercomputadores, tanto dos Estados Unidos quanto da China, é criar um modelo Gripen da IA. Ou seja, eles não vão só comprar a máquina, instalar aqui e deixá-la rodando. Eles querem que as empresas que ganhem esses editais transfiram tecnologia. Não quer dizer transferir a arquitetura do chip, mas várias outras tecnologias envolvidas num supercomputador de IA: a forma como os sistemas rodam, o software, a formação de pessoal, formar pessoas para desenhar chips e semicondutores. Todo o stack de um supercomputador de IA pode ser transferido para o Brasil.
Helton Simões Gomes
Na semana passada, o governo federal anunciou que destinará R$ 1 bilhão para a compra de um supercomputador de IA e fechou uma parceria no valor de R$ 1,2 bilhão para capacitar pessoas e treinar modelos de IA com outra infraestrutura. A primeira máquina provavelmente será equipada com chips da Nvidia. E a segunda, visto que as parceiras são as chinesas Huawei e iFlytek, deve ser o Atlas SuperPod.
Helton diz que o plano passou a prever duas compras após a delegação brasileira participar da conferência em Xangai. Segundo ele, a ministra Luciana Santos afirmou que a mudança altera o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial, que antes pretendia comprar um grande computador.
O Brasil voltou de lá e decidiu comprar duas máquinas, uma americana e uma chinesa. Por enquanto, a certeza é que o computador a ser comprado vai ser da Nvidia. A forma como essa compra vai ser dada vai ser por meio de edital: eles vão contratar uma empresa que vai comprar da Nvidia em escala global e trazer o equipamento para o Brasil.
Helton Simões Gomes
Diogo Cortiz relata que viu o lançamento do Atlas na feira e que a apresentação atraiu representantes de vários países interessados em entender a alternativa chinesa. Para ele, a diversificação não elimina a dependência externa, mas diminui o risco de ficar preso a um único caminho.
Foi um lançamento interessante: a Huawei se coloca como uma tecnologia com viabilidade técnica para suprir necessidades que antes eram supridas somente pela Nvidia. O Brasil faz um movimento correto, que é descentralizar a dependência. A gente não está eliminando a dependência, mas diversifica. Depender só da Nvidia é um risco estratégico de fato. E você cria um canal com a China.
Diogo Cortiz
Fonte da notícia: UOL Tecnologia https://www.uol.com.br/tilt/noticias/redacao/2026/08/25/deu-tilt-ep-81.ghtm



