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Mitos e verdade sobre a psicanálise: é uma pseudociência?

5. O paciente tem de contar seus sonhos para o analista

Verdadeiro, mas não obrigatório. Quando se começa uma análise um dos fenômenos mais misteriosos é que pessoas que nunca se lembram de seus sonhos, começam a trazê-los para a sessão. Obviamente isso quer dizer que há alguém que está esperando por eles, e isso muda tudo. O sonho é de fato uma peça muito útil do tratamento, não porque ele contenha algum conteúdo que não seria acessível de outra forma, mas porque ele coloca o sujeito na “atitude” que convém ao tratamento, ou seja, examinar fatos que pertencem a ele, que são de sua lavra e produção, sem que ao mesmo tempo seu sentido seja imediato e transparente. Costumo “encomendar” sonhos, em momentos específicos do tratamento. Quase sempre dá certo. Como Berzelius que descobriu a solução para o problema da estrutura química do benzeno através de um sonho.

6. O tratamento psicanalítico é longo

Mito/Verdadeiro. Os objetivos do tratamento são recolocados muitas vezes ao longo de seu desenvolvimento. Há muitos pontos de parada, assim como há vários reinícios, estabelecidos ou não em contrato. Há análises curtas, baseadas em sintomas ou situações de vida pontuais e críticas. Há análises longas como uma viagem que se vai levando mais longe na medida do interesse. Em trajetos mais longos a remoção de problemas vai cedendo espaço para a aventura da descoberta. Sempre é central resolver a separação com o analista, modelo de outras separações possíveis. Há também análises intermináveis, que se tornam parte de uma existência cronicamente inviável. Esta variação entre meios e fins pode ser usada para esconder imperícia, alienação e dependência, o que qualquer tratamento deveria evitar. Por outro lado, tudo o que realmente vale a pena na vida demora, custa ou é proibido.

7. A psicanálise não cura

Mito cientificamente comprovado como falso. A definição de cura pode mudar ao longo do tratamento, no entanto se a pergunta é focada na eficácia comparativa com outras abordagens psicoterapêuticas ou com tratamentos medicamentosos, há recentes pesquisas que comprovam a eficiência da psicanálise. Ainda assim é preciso ressaltar a terrível redução metodológica que se deve fazer para chegar a este tipo de resultado: formas diferentes de psicanálise, tipos de paciente, experiências formativas e profissionais distintas entre analistas, modalidades diversas e irreprodutíveis de sintoma, extensão e regularidade do tratamento, momentos diferenciais de vida, dimensão proporcionalmente incomparável do sofrimento impingido pelos sintomas e finalmente o chamado “caráter único do encontro” que se dá entre os envolvidos, muitas vezes comparado ao encontro amoroso. Uma prova científica e cabal de que a psicanálise cura pode ser encontrada na seguinte meta-análise (um tipo de estudo que equaliza e reúne centenas de outras pesquisas, potencializando seus resultados convergentes) .




Fonte da notícia: UOL Tecnologia https://www.uol.com.br/tilt/colunas/blog-do-dunker/2026/07/18/mitos-e-verdade-sobre-a-psicanalise-e-uma-pseudociencia.htm

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