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Ciberataque a supermercados na França expõe vulnerabilidades de aparelhos smart

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Ciberataque a supermercados na França expõe vulnerabilidades de aparelhos smart

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O ataque cibernético sem precedentes a centenas de supermercados na França nesta segunda-feira (12/10) resultou na perda de toneladas de alimentos e levantou preocupações sobre a vulnerabilidade dos sistemas de segurança a técnicas avançadas de hackeamento.

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Especialistas alertam que situações semelhantes podem ocorrer com uma série de aparelhos domésticos, como geladeiras e câmeras de segurança, e até com automóveis que utilizam sistemas de conexão à internet.

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No caso ocorrido na França, os hackers, que visavam sistemas de refrigeração conectados à internet fabricados pela empresa dinamarquesa Danfoss, elevaram a temperatura de geladeiras e congeladores para até 50º C em centenas lojas e supermercados de todo o país.

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As redes de supermercados confirmaram o ocorrido, mas ainda não está claro quem está por trás dos ataques. Segundo o ministro francês das Finanças, Roland Lescure, cerca de 700 estabelecimentos foram afetados.

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A agência de cibersegurança da França recomendou que as empresas que utilizam os modelos de congeladores hackeados os desconectem imediatamente da internet ou restrinjam o acesso a eles, e realizem atualizações de software.

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Do mundo virtual para o real

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Por muito tempo isolados da internet, equipamentos industriais, como sistemas de refrigeração, passaram a ser conectados à internet para permitir supervisão e controle remotos, explicou Antoine Hautin, secretário-geral da consultoria de cibersegurança Almond, à agência de notícias AFP.

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Sem proteções adequadas, como controles de direitos de acesso, aplicação regular de correções de segurança ou uso de plataformas intermediárias para controle remoto, “qualquer fábrica ou equipamento” conectado – seja nos setores automotivo, de energia ou de transportes – pode ficar exposto a cenários semelhantes, avaliou Olivier Daloy, especialista em segurança cibernética da Zscaler, também em entrevista à AFP.

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Hackers elevaram a temperatura de congeladores para até 50º C em mais de 500 supermercados franceses
Hackers elevaram a temperatura de congeladores para até 50º C em mais de 500 supermercados franceses Imagem: Elsa Rancel/Ouest-France/PHOTOPQR/MAXPPP/IMAGO

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Segundo Daloy, o princípio desse ataque é comparável ao do vírus Stuxnet, de 2010, que causou uma série de falhas nas centrífugas iranianas utilizadas para o enriquecimento de urânio.

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No caso dos supermercados, o ataque demonstra as possíveis consequências de um acesso remoto insuficientemente protegido a equipamentos essenciais para o funcionamento diário das empresas.

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Como os hackers conseguiram realizar o ataque?

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Daloy explica que as infraestruturas industriais são vulneráveis porque combinam sistemas de tecnologia da informação (TI) com equipamentos físicos de tecnologia operacional (OT), alguns dos quais são antigos.

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Ao invadir redes de computadores, os hackers podem acessar os sistemas que controlam diretamente esses equipamentos e provocar perturbações no mundo real.

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“Estamos diante de um ataque à chamada internet das coisas (IoT, na sigla em inglês)”, explica ele. Trata-se de máquinas que “não possuem tela nem teclado”, mas que, ainda assim, são acessíveis via rede e podem, em certos casos, ser controladas remotamente.

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Daloy observa dois cenários particularmente possíveis para o hackeamento: a exploração de uma vulnerabilidade técnica ou o uso de credenciais comprometidas para se conectar ao equipamento.

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Na prática, no caso dos supermercados, “o risco imediato é o desperdício de alimentos, e o segundo risco é causar um impacto físico, com perigo de incêndio, quando as geladeiras atingem 50º C”, acrescentou.

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Casos anteriores de ataques a supermercados

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Ataques semelhantes ao ocorrido na França já foram relatados em outras partes da Europa e nos Estados Unidos.

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Em abril de 2025, a rede britânica de lojas de departamentos Marks & Spencer sofreu um ataque sofisticado de ransomware – ciberataques que bloqueiam o acesso a sistemas ou arquivos de uma empresa e exigem o pagamento de um resgate.

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A empresa teve que gastar cerca de 300 milhões de libras (R$ 1,9 bilhão) após ter sido forçada a suspender pedidos feitos online e pelo aplicativo. O ataque foi orquestrado por um grupo de hackers chamado Scattered Spider, utilizando um ransomware de outro grupo criminoso, o DragonForce.

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Rede britânica de lojas de departamentos Marks & Spencer foi alvo de um ataque sofisticado de ransomware
Rede britânica de lojas de departamentos Marks & Spencer foi alvo de um ataque sofisticado de ransomware Imagem: Ian Murray/imageBROKER/picture alliance

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Segundo a imprensa do Reino Unido, os mesmos hackers também tentaram atacar a rede Co-op e a icônica loja de departamentos Harrods.

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Relatos semelhantes também surgiram nos EUA. Em junho de 2025, a United Natural Foods, uma empresa de alimentos congelados que abastece grandes redes de supermercados como a Whole Foods, informou ter descoberto um ataque cibernético que a obrigou a tirar seus sistemas do ar. A empresa não revelou a natureza do ataque.

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Em novembro do ano passado, a Ahold Delhaize USA informou ter sido vítima de um ataque cibernético que interrompeu as operações em mais de 2 mil lojas.

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Hackers podem invadir dispositivos domésticos?

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De geladeiras e sistemas de aquecimento a câmeras de segurança e redes de alarme, cada vez mais dispositivos podem ser monitorados e controlados remotamente, o que cria novas oportunidades para cibercriminosos.

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Se um dispositivo estiver conectado à internet, seja diretamente ou por meio de um aplicativo, serviço de nuvem ou rede doméstica, ele pode, potencialmente, ser invadido.

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Em 2015, pesquisadores demonstraram em uma conferência de hackers em Las Vegas como uma geladeira inteligente da Samsung poderia ser comprometida, com a interceptação de parte do tráfego de internet que passava pelo dispositivo.

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Em muitos casos, os invasores estão mais interessados em roubar dados, interromper serviços ou usar dispositivos conectados como uma porta de entrada para uma rede maior.

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Os alvos mais comuns são dispositivos conectados à internet e controlados remotamente. Isso inclui câmeras de segurança, campainhas com vídeo, sistemas de alarme, fechaduras inteligentes, termostatos e sistemas de aquecimento central.

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Risco aumenta em paralelo à conectividade

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Eletrodomésticos inteligentes, como geladeiras, fornos e máquinas de lavar, também podem ser vulneráveis se estiverem conectados à internet. Até mesmo algumas escovas de dente estão agora conectadas à internet.

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Roteadores – e não os eletrodomésticos – são responsáveis por mais de três quartos de todos os ataques a dispositivos conectados, segundo dados de especialistas em segurança.

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O número desses dispositivos cresceu rapidamente à medida que fabricantes adicionaram conectividade à internet a produtos que antes eram totalmente mecânicos.

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Uma vez dentro de um dispositivo, um hacker pode, geralmente, coletar informações ou assumir o controle do dispositivo.

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Uma câmera pode mostrar o interior de uma casa, um dispositivo com microfone pode captar sons e um roteador comprometido pode expor tudo o que trafega pela rede. Hackers que assumem o controle de um dispositivo podem ligá-lo ou desligá-lo, alterar configurações ou impedir que os usuários acessem suas contas. Um termostato comprometido pode afetar o aquecimento, enquanto um congelador ou geladeira hackeado pode comprometer o controle de temperatura.

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Em casos mais graves, invasores podem usar dispositivos com segurança precária para obter acesso a outros sistemas na mesma rede ou para roubar informações pessoais vinculadas a contas online.

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Carros com acesso a internet vulneráveis a ataques

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O perigo também se estende aos veículos motorizados. Pesquisadores de segurança cibernética demonstraram repetidamente vulnerabilidades em automóveis conectados à internet.

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Em 2015, pesquisadores assumiram remotamente o controle de um Jeep em movimento por meio de seu sistema de entretenimento conectado à internet, forçando o recall de cerca de 1,4 milhão de veículos e a implementação de correções de software.

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Quase uma década depois, pesquisadores revelaram uma falha que permitia rastrear, destravar e dar a partida em certos veículos da automobilística Kia usando apenas o número da placa. Os pesquisadores afirmaram ter relatado as vulnerabilidades à empresa, que as corrigiu em poucos meses, e não houve evidências de que tenham sido exploradas em ataques reais.

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Veículos e aeronaves modernos também são projetados com sistemas abrangentes de segurança e de backup.

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Infraestruturas críticas, como redes de energia e água, geralmente possuem camadas múltiplas de segurança, monitoramento e regulamentação que não estão presentes em dispositivos de consumo. Isso não significa que estejam imunes a ataques cibernéticos, mas normalmente são alvos muito mais difíceis do que um eletrodoméstico conectado a uma rede doméstica wi-fi.

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Como proteger os dispositivos?

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Especialistas em segurança cibernética geralmente recomendam alterar senhas padrão, ativar a autenticação em duas etapas quando disponível e instalar regularmente atualizações de software.

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Os consumidores também devem remover ou substituir dispositivos que não recebem novas atualizações de segurança, manter a maioria dos dispositivos em uma rede local e conectar produtos à internet apenas quando houver um motivo claro para isso.

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A regra mais simples costuma ser a mais eficaz: quanto menos dispositivos conectados, menos potenciais pontos de entrada para invasores.

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rc/ra (AFP, ots, Reuters)

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Fonte original: www.uol.com.br

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