Apple x Meta: como IA selou trégua em guerra antiga de titãs das big techs

Apple x Meta: como IA selou trégua em guerra antiga de titãs das big techs
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Apple e Meta, rivais que passaram anos trocando farpas sobre privacidade e poder de plataforma, decidiram cooperar para colocar um modelo gigante de IA da dona do Facebook rodando “na mesa” – em Macs de alto desempenho, sem depender de data centers na nuvem. A trégua tem cara de pragmatismo: de um lado, a Meta quer que seu modelo vire padrão entre desenvolvedores; do outro, a Apple quer provar que seus chips aguentam IA pesada – e, de quebra, reduzir o atrito histórico em torno de dados e rastreamento.
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*Apple e Meta anunciaram uma colaboração para permitir que desenvolvedores rodem localmente, em Macs de alto desempenho, o novo modelo de IA Muse Spark Open, da Meta.
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*O Muse Spark Open é um modelo com “pesos abertos” (ou seja, os arquivos do modelo podem ser baixados para rodar fora dos servidores da empresa), publicado sob uma licença que permite usos comerciais com condições.
*Segundo a Meta, o Muse Spark Open tem 816 bilhões de parâmetros (valores ajustados no treinamento) e foi feito para tarefas como programação, uso de ferramentas e trabalhos em várias etapas.
*A configuração divulgada envolve ligar de dois a quatro computadores Mac Studio com chip M5 Ultra para dar conta do tamanho do modelo, usando grande quantidade de memória unificada.
*O processamento acontece nos próprios Macs, com apoio do MLX, um conjunto de ferramentas da Apple para trabalhar com IA nos chips da empresa – inclusive dividindo o modelo entre mais de uma máquina.
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*A parceria marca uma reaproximação após anos de tensão, que piorou em 2021 quando a Apple mudou regras de privacidade no iPhone e passou a exigir permissão para rastrear usuários, afetando a publicidade direcionada da Meta.
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*As empresas não confirmaram se essa cooperação vai virar uma relação mais profunda – e a colaboração, por enquanto, não significa que o modelo vá parar na Siri ou na Apple Intelligence.
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Essa “paz” tem menos a ver com amizade e mais com uma mudança de fase na corrida da IA. Até pouco tempo atrás, o caminho padrão era: você faz uma pergunta, ela vai para um data center, e a resposta volta. Agora, a indústria tenta empurrar parte desse poder para o seu próprio computador – como trocar uma ligação para a central por resolver o problema dentro de casa.
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Para a Apple, rodar um modelo desse porte localmente é vitrine: serve para mostrar que seus chips e seus desktops conseguem fazer IA avançada sem depender de placas da Nvidia em nuvens gigantes. Isso conversa com um ponto sensível: a empresa vem sendo cobrada porque a Siri ainda não parece tão esperta quanto chatbots e “agentes” (IAs que executam tarefas) de laboratórios líderes. Se a Apple não consegue liderar só com software, ela pode tentar liderar com o “palco” – o hardware e as ferramentas – e deixar que outros tragam os modelos.
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Para a Meta, o ganho é distribuição. Um modelo com pesos para download vira uma espécie de “motor” que pode ser instalado em diferentes projetos, o que aumenta a chance de a tecnologia da empresa virar escolha padrão de desenvolvedores. E há um bônus político e de imagem: ao rodar localmente, a Meta pode dizer que não vê os prompts nem os dados do uso – um jeito de contornar a desconfiança histórica em torno de privacidade.
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Mas o recado mais importante para o leitor comum é o seguinte: “IA no seu computador” não significa “IA barata e simples”. A conta sai do data center e vai para a sua mesa: máquinas caríssimas, energia, configuração e manutenção. E mesmo com o “cérebro” rodando localmente, muita tarefa ainda precisa da internet (por exemplo, quando a IA tem que buscar informações em sites ou usar serviços externos).
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No fim, a trégua Apple-Meta mostra como a IA está embaralhando alianças antigas: rivais podem cooperar quando isso acelera adoção e reduz dependências. A pergunta que fica é se essa parceria vai ficar restrita ao mundo dos desenvolvedores e dos Macs “turbinados” – ou se vai, com o tempo, chegar às funções de IA que a maioria das pessoas realmente usa no dia a dia.
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A colaboração marca uma trégua impressionante entre dois rivais antigos do Vale do Silício, mostrando como a corrida da IA está remodelando relações em toda a indústria de tecnologia.
Ina Fried, jornalista, em reportagem do Axios
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A notícia reflete um interesse crescente em rodar modelos poderosos de IA no hardware local, em vez de depender de data centers na nuvem.
Kif Leswing e Jonathan Vanian, jornalistas, em reportagem da CNBC
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Isso pode dar às empresas mais alternativas às GPUs da Nvidia e a modelos proprietários das principais empresas de IA, potencialmente mudando parte da economia da IA.
Ina Fried, jornalista, em reportagem do Axios
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A China ainda lidera a corrida dos modelos de pesos abertos, mas o retorno da Meta coloca os Estados Unidos formalmente de volta ao jogo
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Fonte original: www.uol.com.br
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