‘O diferencial dos próximos tempos será a assinatura ‘Feito por Humanos”, afirmam profissinais em RH e inovação

O painel da São Paulo Innovation Week reuniu grandes nomes da gestão de pessoas para discutir uma realidade que já não é mais tendência, mas urgência: o futuro do trabalho. Éder Monteiro (MasterSense), André Luiz Said (Torrent Pharma), Adriana Mendonça (W1 Inc.) e Carlos Alecrim (NOUS Global) convergiram em um ponto crucial: a tecnologia é o motor, mas a liderança e a cultura são o volante que define se as empresas vão chegar ao sucesso ou ao colapso operacional.
Para André Luiz Said, o maior impacto no cenário atual não vem das ferramentas, mas de quem as comanda. “O poder de uma liderança dita muito se o mercado vai inovar ou não”, afirmou, destacando que decisões políticas e econômicas podem mudar o mundo da noite para o dia. Segundo ele, a tecnologia e os processos de nada servem se a liderança não conseguir lidar com o desconhecido e com o medo.
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Adriana Mendonça complementou essa visão ao trazer o conceito de “apetite ao risco”. Para a CHRO da W1 Inc., o sucesso de uma cultura de inovação depende diretamente do “espaço” que o líder dá para que os times se desenvolvam. Sem um ambiente de segurança psicológica, no qual o ego é deixado de lado em prol do ecossistema, a inovação aberta — aquela que busca soluções fora dos muros da empresa — torna-se apenas um discurso vazio.
O fim do “comando e controle” e o renascimento do talento
Carlos Alecrim trouxe uma perspectiva provocadora sobre a estrutura das organizações. Ele defende que a “zona de conforto” no ambiente corporativo foi erroneamente rotulada como acomodação. Na verdade, a gestão ágil e o universo das startups ensinam que a verdadeira zona de conforto é onde o profissional exerce seus talentos naturais com fluidez. “Não quero trabalhar com angústia, se não a angústia vai ser o carimbo do meu passaporte para ir embora”, alertou Alecrim, vinculando a retenção de talentos ao prazer e à identificação com a marca.
Esse “embaixadorismo” natural, comum em startups, é o que as grandes empresas tentam replicar. Adriana Mendonça reforçou que a nova geração de trabalhadores não aceita mais modelos baseados em controle rígido. Eles buscam propósito, felicidade e uma visão holística, em que a eficiência caminha lado a lado com a humanidade.
IA: ferramenta de potencialização, não de refúgio
O debate sobre Inteligência Artificial foi inevitável. Éder Monteiro trouxe um alerta prático sobre a “armadilha da dependência”. Ele relatou o caso de candidatos que, em entrevistas, usam a IA para ler respostas em tempo real, perdendo o pensamento crítico. “Utilizem muito bem a IA, mas não sejam reféns dela”, aconselhou.
Carlos Alecrim finalizou com uma previsão pragmática: todos, em algum momento, vão ter uma carreira empreendedora, seja por desejo ou necessidade de mercado. Nesse cenário, a IA substitui funções, mas não as pessoas que sabem orquestrá-la. A técnica é necessária, mas o diferencial competitivo do futuro vai ser a capacidade humana de construir relações de confiança e manter a assinatura de quem realmente sente e pensa o negócio.
O TecMundo está no São Paulo Innovation Week! O SPIW 2026 começa nesta quarta-feira (13), na capital paulista, reunindo líderes de grandes companhias brasileiras e globais, empresas e startups. Centros de pesquisa, investidores e governos também estarão presentes, participando de debates em tecnologia, ciência, educação, saúde, finanças e muitas outras áreas. Para todos os detalhes, acesse o site oficial do evento.
Fonte da notícia: Novidades do TecMundo https://www.tecmundo.com.br/mercado/413087-o-diferencial-dos-proximos-tempos-sera-a-assinatura-feito-por-humanos-afirmam-profissinais-em-rh-e-inovacao.htm
Rafael Farinaccio


