Polícia de SP registra alta no uso de smart tags para perseguir mulheres

Homens estão utilizando tags de rastreamento para monitorar mulheres em São Paulo (SP). Dados obtidos na Delegacia de Defesa da Mulher (1ª DDM) indicam que os casos cresceram mais de 15% no primeiro trimestre deste ano.
De acordo com reportagem publicada nesta terça-feira (24) pela Folha de S. Paulo, 104 boletins de ocorrência foram contabilizados até março deste ano, ou seja, um aumento frente aos 90 casos no mesmo período do ano passado. Com tamanhos reduzidos, essas tags podem ser facilmente escondidas em quase qualquer lugar e prover o rastreio em tempo real das vítimas.
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A publicação conta a história de uma pedagoga de 46 anos, que descobriu a perseguição. Seu celular começou a enviar notificações que uma tag desconhecida estava informando a localização da usuária para outro dispositivo por horas. Pelas imagens cedida, é perceptível que o modelo encontrado era uma AirTag, da Apple.
Residente na capital paulista, a vítima procurou por horas o pequeno dispositivo, que estava escondido no tênis do seu filho de 6 apenas seis anos. Antes disso, a pedagoga cita que já havia descoberto um gravador escondido em um animal de pelúcia. Mesmo com o registro do boletim de ocorrência e a solicitação de medida protetiva urgente, tudo foi negado e o caso acabou arquivado tempos depois.
Perseguição virou realidade
Como aponta a delegada titular da 1ª DDM, Cristine Nascimento Guedes Costa, tecnologias como as tags se tornaram sinônimo de perseguição para diversas mulheres. Desenvolvidas inicialmente para servir para acompanhar a localização de carteiras, celulares, câmeras, bagagens e outros itens pessoais, esses gadgets se tornaram aliados de stalkers.
“Às vezes o pai coloca a tag na mochila da criança e monitora a mulher por meio dela. Temos casos do objeto estar escondido no escapamento do carro. Os investigadores precisaram fazer uma busca bem minuciosa para localizá-la, explica a delegada. A profissional também cita que o estigma de perseguição antes entendido como “paranoia” agora se torna real.
Não é de hoje que as tags de rastreamentos são usadas para perseguição de mulheres. Desde a popularização desses equipamentos, em especial das AirTags, os relatos de stalking aumentaram. Em 2022, uma apuração da Vice indicou que 150 casos relacionados com o dispositivo, 50 envolviam diretamente mulheres vítimas de perseguição.
Um ano depois, um processo coletivo foi aberto sob o pretexto que a Apple não fazia o suficiente para minimizar o uso irregular desse acessório. Apesar disso, a gigante inúmeras vezes salientou que suas etiquetas não foram criadas para rastrear pessoas ou animais de estimação.
Vale notar que não há somente tags rastreadores da Maçã, mas também de empresas como Samsung e Motorola, amplamente disponíveis. Modelos de marcas brancas também são facilmente encontrados à venda em marketplaces.
Em um dos casos de bom uso da tecnologia, as tags já foram responsáveis por ajudar um fotógrafo a recuperar R$ 36 mil em itens roubados. Siga o TecMundo no X, Instagram, Facebook e YouTube e assine a nossa newsletter para receber as principais notícias e análises diretamente no seu e-mail.
Fonte da notícia: Novidades do TecMundo https://www.tecmundo.com.br/seguranca/414113-policia-de-sp-registra-alta-no-uso-de-smart-tags-para-perseguir-mulheres.htm
Felipe Vitor Vidal Neri



