Guia de Compras e Reviews

‘Veio para ficar’: Gemini não vai substituir a Busca, mas Google não vê futuro sem IA

O Google, maior buscador da internet com 3 bilhões de usuários, tem passado por mudanças ativas com a adição de mais recursos baseados em inteligência artificial (IA). A clássica caixa de busca agora permite incluir fotos e vídeos, buscas por voz e um novo “Modo IA”. Mas ao que tudo indica, a empresa não “vê” um futuro sem a IA.

Essas atualizações também são baseadas no Gemini, modelo que parece ter conquistado um destaque maior até mesmo nas apresentações do Google do que outros produtos populares. A impressão, porém, é de que a IA tem se tornado até “maior” em termos de relevância do que a própria Busca ou o Android, por exemplo — que recentemente se tornou um “sistema inteligente”.

smart_display

Nossos vídeos em destaque

Em entrevista exclusiva ao TecMundo, Pandu Nayak, vice-presidente de Google Search, diz que o Gemini não substituirá as buscas tradicionais que fazemos na internet. “Em vez de discutir se o Gemini se tornará mais relevante do que a Busca, acredito que, ao combiná-los, temos uma experiência muito melhor”, afirmou.

Para Nayak, há espaço suficiente para os dois “mundos”. Na Busca, os usuários encontram mais praticidade e capacidades como “velocidade, atualidade e acesso a uma vasta gama de fatos sobre o mundo graças ao Knowledge Graph” — trata-se da API de database que ajuda o Google a identificar e relacionar coisas como pessoas, lugares ou coisas nos resultados, por exemplo.

Já no Gemini, por sua vez, os usuários encontram funcionalidades como uma compreensão profunda da linguagem (que pode ser mais natural), raciocínio e a possibilidade de conduzir conversas com naturalidade. O movimento dos chatbots para pesquisas conversacionais foi liderado, principalmente, com o lançamento do ChatGPT em 2022.

Executivo do Google ressalta que paginação não sumirá dos resultados de busca. (Captura de tela: TecMundo)

Mesmo com essa mudança profunda nas buscas na internet, Nayak diz que os resultados não serão essencialmente alterados. Os usuários ainda encontrarão os tradicionais links para acessar os sites, segundo ele. O executivo também foi enfático ao dizer que os links de paginação não sumirão do Google.

A “ameaça” nas buscas

As mudanças feitas pelo Google não são por acaso. O ChatGPT atingiu a impressionante marca de 1 bilhão de usuários ativos em apenas três anos de funcionamento, por exemplo. Como o Google funciona como uma espécie de “página inicial” da internet para muitos e detém 90% do mercado de buscas, é natural que recursos como o AI Overviews passem a ganhar mais destaque para que a empresa siga sendo competitiva nesse campo.

  • O AI Overviews tende a exibir, logo abaixo da caixa de busca e acima dos primeiros links, respostas mais contextuais para uma pesquisa;
  • Ainda que mostre links para fontes como sites de notícias, blogs e fóruns, a prática também pode derrubar a audiência dessas fontes, justamente porque o usuário não precisa clicar em mais nada para obter uma resposta “mais completa” e pode seguir tendo uma experiência conversacional no próprio Google;
Google AI Overviews.jpg
Resultados de busca no Google ficam mais completos com os novos recursos de IA. (Captura de tela: TecMundo)
  • Segundo estudo da empresa de análise de dados Authoritas, a queda de audiência nesses sites é de pelo menos 20,6%;
  • Os sites ainda podem solicitar para que não sejam adicionados às respostas geradas por IA, o que também pode afetar a taxa de cliques.

Mas os links não devem “sumir” dessa experiência de navegação do Google no futuro. Para Nayak, “com a IA, estamos tornando a busca mais útil. E parte disso é continuar apresentando links para a web, pois acredito — e nós, como empresa, também acreditamos — que a web é uma fonte de informações extraordinária, certo?”, afirmou.

“Destacar a web da maneira adequada continua sendo importante, e estamos fazendo isso em nossas experiências com IA, utilizando diversas formas de apresentar esses links aos usuários”, disse o executivo.

As buscas sem IA ainda existirão?

De fato, as pesquisas estão “ficando maiores”. Nayak também ressalta isso ao afirmar que as pessoas não mais pesquisam por somente coisas direcionais, mas adicionam contextos individuais para obter respostas cada vez mais endereçadas. E assim os resultados também mudam: passam disso para uma conversa, exibem trechos específicos de vídeos no YouTube ou até mesmo vídeos de redes sociais.

Não só o Google, mas outras iniciativas que envolvem inteligência artificial também enfrentam um movimento oposto, daqueles que preferem fazer buscas sem intervenção da tecnologia. É aí que outros mecanismos ganham destaque: o DuckDuckGo tem registrado aumento na taxa de instalações de 30% e até o Bing atingiu 1 bilhão de usuários pela primeira vez.

Mas a mensagem parece ser de que o futuro das buscas também passa por essa tecnologia. Para o Google, a IA definitivamente não vai a lugar algum e “está aqui para ficar” nos produtos da empresa, ainda que a ativação seja gradual. Ou, em outras palavras, a IA não poderá ser “desligada”.

“Antes de fazermos qualquer mudança, sempre conduzimos experimentos e, se alguma coisa não funciona bem, fazemos os ajustes necessários. Isso tem funcionado muito bem [IA nas buscas e mais funções multimodais], por isso nós lançamos [os novos recursos]”, citou Nayak ao falar sobre a aceitação dos usuários. Segundo a empresa, o feedback do público tem sido positivo.

Isso se reflete na maior mudança que o Google fez na Busca em 25 anos, desde seu lançamento. A nova caixa de busca funciona mais como uma “caixa inteligente”: “você não digita apenas texto — pode inserir imagens, vídeos, documentos e até podcasts, e o mecanismo de busca consegue compreender tudo isso para responder às suas perguntas”.

O objetivo do Google com a adoção da IA, cita o executivo, é facilitar a resposta para “qualquer coisa”, mas que a próxima “grande fase é ajudar você a realizar tarefas”. Nayak se refere justamente aos agentes de IA, como os que temos visto na Busca, Chrome e Gemini. O mesmo deve acontecer a partir do Android 17, que promete automatizar algumas tarefas mais “chatas” para o usuário.


Fonte da notícia: Novidades do TecMundo https://www.tecmundo.com.br/mercado/414132-veio-para-ficar-gemini-nao-vai-substituir-a-busca-mas-google-nao-ve-futuro-sem-ia.htm

Wellington Arruda

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo
Verified by MonsterInsights