Beast of Reincarnation diverte com combate estratégico e diversificado, mas peca no visual e no desempenho

Beast of Reincarnation é a nova aposta da Game Freak, produtora que ao longo dos últimos anos tem se dedicado ao desenvolvimento de títulos da franquia Pokémon. Desde que foi revelado, o jogo vem chamando atenção pela proposta de apresentar um universo, onde uma força da natureza devastou o mundo, e domina as criaturas que sobreviveram nele.
Você assume o controle de Emma e seu cão Koo, em uma busca para eliminar a Fera da Reencarnação, e assim fazer com que o mundo volte ao normal, assim como o que sobrou da humanidade. Mas será que o RPG de ação realmente vale a sua atenção? Confira o review completo!
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Um mundo amaldiçoado pela… natureza!
Como dito anteriormente, Beast of Reincarnation se passa no futuro, mais precisamente no ano de 4026, onde o mundo foi devastado por uma força maligna. Ela por sua vez consome criaturas com um poder que une elementos da flora e da fauna, fazendo assim com que espécies comuns, como ursos, lobos, alces, e outros animais, tenham mutações que os concedem raízes e uma comunicação maior com a natureza, o que por sua vez os torna ainda mais selvagens.
Emma é uma guerreira que foi amaldiçoada por esse mal, e um dos “sintomas” foi a perda dos seus sentimentos e memórias. Em contrapartida, ela consegue manipular elementos com sua arma e seu cabelo. Por conta disso, ela se torna uma das maiores armas contra o mal, e a grande esperança para ver o mundo livre dele, o que leva ela e seu cachorro Koo a uma jornada por diversas regiões do que sobrou do Japão.
Embora a sinopse do enredo, e tudo que foi divulgado sobre ele durante a campanha de lançamento, não tenha sido algo que mexeu comigo, ele acabou sendo um dos grandes atrativos do jogo. No começo, a história se mostra um pouco arrastada, e ao mesmo tempo sendo revelada em pílulas. Curiosamente, tudo se encaminhava para ser aquele clichê popular de jogos de ação, onde as empresas procuram uma justificativa para o jogador descer a porrada em tudo que aparece pelo seu caminho. Porém, fui enganado. E gostei!
Para explicar, e ao mesmo tempo não dar nenhum spoiler, posso garantir que por mais que o enredo não saiba se desenrolar no começo, a sua escalada faz com que você se atente mais aos detalhes da trama do que a encontrar itens e inimigos pelo cenário. Mesmo que no game ocorra um excesso de diálogos no meio das suas incursões, como palpites sobre receitas e até mesmo pedido de desculpas para coisas que já foram resolvidas. E para completar, todos os diálogos do game estão em japonês, o que obrigada a ler todas as legendas, a não ser que você domine a língua oriental.
Voltando ao enredo, além de Emma e Koo, há personagens que ganham a sua atenção na trama, como Kagura, que mesmo pelo fato de me incomodar ela ser apenas uma pequena cozinheira do grupo, ainda sim seu papel é fundamental na trama. Já ao longo da jornada, aparecem outros aliados, e até mesmo inimigos, que ajudam a preparar o terreno para o desenrolar final, que vale muito ser acompanhado com atenção. Mas vou evitar ser mais específico para não estragar nada.
Por fim, vale ressaltar que além de ser uma excelente história para ser acompanhada, a Game Freak criou um universo que pode ser muito bem explorado, seja pelo mesmo período em que se passa o jogo, mas na visão de outros personagens, como no momento onde tudo começou a ruir. É esperar para crer.
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Emma e Koo, uma dupla que se encaixa perfeitamente
Controlar um personagem e seu fiel cão é algo comum no mundo dos games. Porém, são poucos que fazem isso com uma maestria onde ambos brilham de uma maneira igual. Beast of Reincarnation é um desses exemplos, onde me arrisco a dizer que por anos o título será lembrado pelo protagonismo de ambos, e a importância de cada um, principalmente, na jogabilidade.
A história de encontro dos dois é simples e prática: Emma ajuda Koo ferido, e o mesmo torna-se um fiel companheiro da personagem. O suficiente para servir de desculpa e colocar ambos em uma linha de frente que agrada justamente pela combinação, ou seja, mesmo que você não controle manualmente Koo, a sua missão no jogo é crucial, e usá-lo estrategicamente nas batalhas é a melhor forma de sobreviver a elas.
Emma é uma espadachim habilidosa, que faz da sua katana uma arma mortal. Se não bastasse, ela ainda conta com alguns elementos do mal que assola o mundo, e é possível usá-los a seu favor. Por exemplo, em boa parte das sequências de golpes, você pode concluir o combo com raízes que jogam os oponentes pro ar, ou até mesmo prende eles com seus cabelos mágicos. O leque imenso de habilidades que você pode comprar e evoluir deixa tudo ainda mais divertido, e te instiga a buscar pontos e níveis para querer ampliar cada vez mais seu repertório de golpes.
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Já Koo tem a função de coadjuvante, mas que age como um protagonista. Além de automaticamente ele seguir funções básicas, como atacar outros oponentes que não sejam os que você briga no momento, ainda sim é possível dar instruções mais específicas para ele. Para isso, basta apertar um botão (triângulo no PS5), para pausar rapidamente o combate e escolher o que ele fará. Dessa lista, a desde simples ataques a um inimigo, como golpes que atingem uma área maior de dano, até os que causam efeitos colaterais, como lentidão e os que prendem criaturas por alguns segundos.
Eu, por exemplo, fiz questão de evoluir até desbloquear uma habilidade que, após Emma finalizar um inimigo, Koo pode finalizar outro a sua escolha. Já outra super eficaz é um ataque padrão do dogão, onde ele paralisa os oponentes, incluindo chefes de cenário. Ela é perfeita para criar alguns segundos de paz e planejar a próxima investida.
Além disso, há também habilidades como a de encontrar itens escondidos que ajudam muito fora da batalha. Isso sem falar na função crucial de Koo que é encontrar elementos no cenário, como cofres, santuários, etc. Entretanto, é preciso abrir o mapa para ter uma orientação mais exata, já que o cão apenas late para sinalizar que algo foi descoberto.
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RPG com elementos de hack ‘n’ slash e pitadas de soulslike
Não poderia haver outra forma para descrever melhor a jogabilidade de Beast of Reincarnation. O game, que se vende como um RPG de ação, é focado em combates frenéticos, como descrito acima, e ainda conta com elementos de soulslike, o que parece estar se tornando um padrão nos jogos deste gênero.
Além da dificuldade elevada, que dou mais detalhes em breve, há um elemento que torna ambos os gêneros mais próximos: os acampamentos. Em Beast of Reincarnation eles também tem a função de aumentar níveis e atributos dos personagens, além de recarregar seus itens com o preço de “reviver” todos os inimigos do cenário.
Curiosamente, em determinados acampamentos do jogo, pude criar uma “estratégia” de ficar eliminando e revivendo grupos de inimigos mais próximos, para subir mais rápido de níveis e também desbloquear novas habilidades. Mas ainda assim, o jogo te instiga a prosseguir, já que dificilmente inimigos comuns dificultam tanto a sua vida como os chefes.
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Falando neles, as poderosas criaturas, também chamadas de Nushi, são um dos atrativos do game, principalmente para quem gosta de desafios. Elas são animais gigantes, que defendem uma determinada fase. Os combates são realmente épicos e irritantes, já que dificilmente você vai passar de primeira por eles. Mas o que incomoda mesmo é a composição desses encontros.
Isso porque todas as batalhas são divididas em parte. Ou seja, você começa um confronto e, após derrotar a criatura, ela foge e é preciso ir atrás para um novo embate Se no começo, por conta da história, isso faz sentido, já que após a primeira derrota era necessário segui-los até seus covis, nos cenários seguintes não há essa desculpa e mesmo assim acontece a mesma estrutura. O lado bom é recuperar itens e energia da primeira batalha, já o lado ruim é saber que você mais uma vez terá um desafio pesado contra a mesma criatura. Alguns irão gostar, outros, como eu, não irão.
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Ainda sobre o acampamento, nele há também a possibilidade de voltar para a sua “casa”. Ela na verdade é chamada de Caminhante Purificador, e funciona como uma espécie de mecha, com pequenas acomodações. É nela que você passa boa parte do tempo quando não está explorando, e por lá, é possível participar de pequenas ações paralelas, como cozinhar e cultivar animais e alimentos.
A pequena Kagura é responsável por cuidar da cozinha, então é preciso pesquisar novos pratos para ela, assim como cultivar os ingredientes. Esses pratos por sua vez aumentam alguns de seus atributos, por isso é necessário um cuidado especial para saber o que produzir e usar.
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No Caminhante você também pode falar, comprar e vender itens com Brad, uma espécie de motorista misterioso, mas que tem papel crucial na sua história (sem mais detalhes por motivos de spoilers). Ele acaba se tornando uma mão na roda, já que vende tudo aquilo que você encontra com golems mercadores ao longo da jornada, mas que no momento não tem, ou não quer gastar seus pontos.
Por fim, vale destacar também os equipamentos de Emma e Koo. É possível equipar ambos com uma série de itens, que por sua vez concedem vantagens para eles. Por exemplo, Emma pode usar Pedras Espirituais que modificam as batalhas, seja aumentando a defesa e ataque, ou até mesmo causando tiros certeiros. Falando nisso, a personagem conta com Arcos e Lançadores de Dardos que são cruciais nos combates, principalmente com flechas e projéteis que causam efeitos colaterais como envenenamento, queimaduras e choque.
Já Koo, não usa armas, mas conta com amuletos que também causam efeitos colaterais em seus inimigos. E no caso do cão, é preciso saber o que usar, já que ao longo da jornada você desbloqueará dezenas de amuletos, mas só poderá usar um. Por fim, o animal conta com habilidades chamadas Artes Florais, que por sua vez são usadas para organizar a forma com que ele vai atacar, por exemplo, mordendo, arranhando, pulando ou até mesmo arremessando uma espécie de lança nos oponentes.
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Um mundo caótico em vários sentidos
É preciso dizer que o mundo de Beast of Reincarnation é puro suco de caos, e isso tem prós e contras. O lado bom é que, embora a proposta do game seja a de ser linear, ainda sim os seus cenários contam com uma série de locais para serem explorados. Levando-se em conta as habilidades de Emma de criar uma ponte ou alcançar áreas mais altas com seu cabelo, você vai gastar uma boa parte do tempo procurando locais escondidos em qualquer parte das fases.
Além disso, embora o game não se venda como um soulslike, é preciso destacar que ele conta com uma linha de dificuldade bem elevada. Principalmente com os chefes de cada cenário, onde cheguei a perder boas horas para enfim eliminar um dos primeiros. Mas a boa notícia é que o jogo conta com três níveis de dificuldade para agradar a todos os gostos, o que facilita bastante os que querem apenas curtir a aventura sem grandes dificuldades.
Porém, a dificuldade mesmo está nos elementos destes mesmos cenários, e que compõem a parte ruim. Há um nível muito alto de bugs no jogo, e boa parte deles estão relacionados com a ambientação do jogo. Assim como você é instigado a vasculhar os cenários, literalmente, de cima a baixo, há muitas partes que prejudicam sua experiência, como locais nada acessíveis, ou até mesmo onde chegar lá exige uma série de escaladas em meio a plataformas nada convidativas.
Para ser mais específico, por muitas vezes fui tentar alcançar uma parte mais alta do cenário, e a personagem simplesmente não permanece por lá, despencando e obrigando a fazer todo o trajeto mais uma vez. Felizmente, Emma não morre por definitivo nestes casos, mas ainda sim é um tanto irritante. Isso sem falar na parte visual, na qual darei mais detalhes ao longo do texto.
Outro elemento onde os bugs aparecem com frequência é durante as batalhas contra os chefes de região. Logo no primeiro combate, contra um alce gigante, a câmera fixa faz com que sua visão seja comprometida, já que a mesma acompanha todo o movimento da criatura. Sendo assim, a sensação é de estar em queda livre, já que a mesma se movimenta para os lados, para cima, e para baixo em um ritmo alucinante. O jeito foi tirar esse elemento e lutar movimentando manualmente a câmera, que para o bom rendimento na batalha, não é nada bom.
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Visual e desempenho que deixam muito a desejar
Antes de tudo, vale ressaltar que a produção deste texto review, joguei Beast of Reincarnation em um PS5 normal. Por conta disso, toda a minha experiência com o jogo foi obtida diante desta plataforma, ou seja, não posso afirmar que o game possui o mesmo desempenho no PS5 Pro ou no PC.
Sendo assim, afirmo que Beast of Reincarnation me decepcionou muito nesses quesitos. A começar pelo desempenho, que mesmo marcado para ser reproduzido no Modo Desempenho, que privilegia os frames por segundo, ainda sim ele sofreu a todo momento com quedas de FPS e até mesmo pequenos travamentos. Por exemplo, em uma determinada batalha, contra diversos inimigos em um cenário mais limitado, fui prejudicado pelas pequenas paralisações do jogo, que por sua vez quebravam o ritmo dos combos.
Já a parte visual, embora a ambientação de Beast of Reincarnation seja repleta de detalhes, e muito bem diversificada em cada uma das cerca de 10 regiões do jogo, ainda sim há muitos problemas em relação aos gráficos. A sensação é que foram criados para a geração passada, do PS4 e Xbox One, mesmo que o game não esteja disponível para ambas.
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A começar pela composição de alguns elementos das fases, como o chão de algumas áreas de mata, que contavam com uma espécie de “piso gramado”, que se destacava das moitas e árvores. Já em prédios e cavernas, as estruturas que compõem os locais são estranhas e chegam a confundir o caminho principal, principalmente ao “arredondar rochas” ou trazer um emaranhado de galhos e plataformas.
Os personagens também sofrem um pouco com isso. A parte humana do jogo até traz uma reprodução fiel de Emma, Koo e cia, podendo destacá-los facilmente por suas respectivas aparências. Mas as criaturas sofrem com a repetição de elementos, e simplicidade de composição. Principalmente os golems, que são as criaturas mais comuns, já que eles são seus inimigos e aliados, dependendo da forma com que aparecem na história. Por mais que faça sentido terem a mesma estrutura, ainda sim são poucos os estilos que os tornam diferenciados, fazendo com que em lutas contra grupos seja difícil saber quem é quem.
Vale a pena?
Beast of Reincarnation tinha tudo para ser uma das surpresas de 2026, mas tropeça nas suas próprias pernas ao tentar ser maior do que deveria ser. O jogo busca uma imensidão da qual não consegue dar conta, sendo assim, acaba entregando um game divertido, com um enredo interessante, mas que a todo momento decepciona pelo seu desempenho nada satisfatório, e gráficos que fazem uma indesejada viagem no tempo até a geração passada.
A química entre Emma e Koo deu certo, e criou uma das jogabilidades mais diversificadas que pude conferir nos últimos anos, principalmente pelas habilidades variadas. Mas ainda assim não abafa os problemas de gráficos medianos e quedas de FPS durantes os momentos cruciais do game. A boa notícia é que a Game Freak criou um universo tão promissor que eu daria uma segunda chance para um futuro título, ou uma sequência. Mas para isso, é necessário um capricho maior do que o que foi feito em Beast of Reincarnation.
NOTA FINAL: 82
Pontos positivos (Prós):
- Sistema de combate com Emma e Koo é um dos melhores que vi em anos
- Variedade imensa de habilidades
- Enredo se ramifica bem ao longo da jornada
- Universo rico que pode ser facilmente explorado em outros jogos
Pontos negativos (Contras):
- Gráficos medianos no PS5 normal
- Quedas de frames a todo momento prejudicam os combates
- Batalhas contra chefes sempre divididas em partes
E você, quais suas expectativas para Beast of Reincarnation? Conte para a gente aqui nos comentários!
Fonte da notícia: Novidades do TecMundo https://www.tecmundo.com.br/voxel/505028-beast-of-reincarnation-diverte-com-combate-diversificado-e-estrategico-mas-peca-no-visual-e-no-desempenho.htm
Diego Borges de Sa

