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como será a mais digital das eleições

Isso não significa que a televisão tenha se tornado irrelevante. Ela segue sendo o lugar onde a campanha fala com quem não procura a política — o eleitor que não segue candidato, não entra em grupo de zap e não assiste a corte de mesacast. Mas significa que boa parte das peças que vamos discutir nos próximos meses será desenhada menos para o intervalo comercial e mais para o feed das redes. O vídeo de campanha de 2026 nasce vertical, dura trinta segundos, tem legenda para ver sem som e é feito para ser encaminhado.

E aqui entra uma diferença estruturante, que vai além do formato. Na televisão, a propaganda é um monólogo: passa, acaba, e a resposta do adversário só vem depois. Na internet, cada peça entra em um ecossistema com regras próprias. O vídeo pode ser moderado ou removido pela plataforma, pode ganhar uma etiqueta indicando que foi gerado por inteligência artificial ou nota da comunidade contestando o seu conteúdo. Ele pode ser comentado, distorcido, respondido e transformado em meme.

As campanhas entenderam o recado, algumas por convicção, outras por falta de alternativa. Zema, agora sem TV, já vinha apostando em vídeos feitos por IA, como na série “Os Intocáveis”, que utiliza bonecos para satirizar ministros do Supremo e outras autoridades. O material rendeu uma reação do ministro Gilmar Mendes, que pediu a inclusão do ex-governador no inquérito das fake news.

Renan Santos, também sem TV, é o candidato do Missão, um partido que nasceu das mobilizações viabilizadas pelo MLB na Internet para fora dela. O MBL construiu ao longo de uma década uma máquina de engajamento digital, agora formalizada enquanto partido e com um aplicativo de organização de conteúdos pronto para a militância usar. O app oficial do Missão distribui missões diárias aos apoiadores, como convidar novos integrantes, compartilhar cortes, comparecer a eventos. Cada tarefa cumprida vale XP, e o militante sobe de nível em rankings atualizados em tempo real. Há um acervo de mais de mil cortes do candidato, organizados por tema e prontos para o encaminhamento. É a militância transformada em um jogo de RPG.

E há até uma mascote, a Fely, uma personagem de anime com orelhas e cauda de onça, que mantém perfil próprio nas redes compartilhando os posts do candidato — geralmente para atestar que ele tem muita aura, que um post é based, que fulano é “intankável”, ou que Renan está “mewing maxxing”. Se você não conhece essas palavras continue assim.

Ainda que seja o partido que conte com o maior tempo de TV, o PT também prepara a sua estrutura de porta-vozes digitais. O tom foi dado nesta quinta-feira por André Janones, que postou uma foto ao lado de Lula anunciando: “Tirem as crianças da sala porque o jogo agora é de gente grande”. E arrematou: “Campanha ‘fofa’ é o caralho! Vai começar! É guerra”.




Fonte da notícia: UOL Tecnologia https://www.uol.com.br/tilt/colunas/carlos-affonso-de-souza/2026/08/09/feed-e-o-novo-horario-eleitoral-como-sera-a-mais-digital-das-eleicoes.htm

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