Desinformação nas redes impulsionou ida de marroquinos à Espanha

Parte do conteúdo enganoso ganhou força ao se apoiar em um fato real, ainda que com pouco efeito prático, o que elevou a confiança nos rumores. “Mesmo que a decisão da Suprema Corte tenha sido inconsequente, ela deu aos boatos aquele grão de verdade que os tornou muito mais confiáveis”, avaliou Jorgen Carling, especialista em migração do Peace Research Institute Oslo, ao The New York Times.
Corte espanhola julgava o caso de um argelino que chegou ao país nadando. Na lei espanhola, as autoridades podem expulsar qualquer pessoa que burle uma barreira física para entrar no país. A determinação da justiça, no entanto, definiu que nadar em mar aberto não era uma barreira física e que pessoas nessa situação não devem ser devolvidas sumariamente, mas serem submetidas aos trâmites comuns de deportação. Essa decisão foi tornada pública em 8 de julho e as nuances do caso foram distorcidas. Como uma brincadeira de “telefone sem fio”, a decisão passou a ser retratada como uma abertura da Espanha para imigrantes.
Por quase três semanas, milhões de posts circularam nas redes sociais. Foram registradas publicações no Facebook, Instagram, WhatsApp, TikTok e Telegram que diziam que uma decisão da corte espanhola facilitaria a migração para o país, segundo o pesquisador Moustafa Ayad.
Os conteúdos começaram a se espalhar organicamente, baseados no desespero de muitas pessoas que buscam oportunidades econômicas na Europa. Esse sentimento foi explorado por grupos online que organizam o tráfico de migrantes, fazendo ofertas no Facebook e no WhatsApp.
Não está claro se autoridades da Espanha, do Marrocos ou das próprias plataformas estavam cientes dessa onda de postagens. No dia 30 de julho, data de maior movimentação de marroquinos em direção a Ceuta, pelo menos 215 contas no Facebook publicaram a mesma mensagem sobre a decisão da corte espanhola.
O jornal americano cita que uma das contas mais influentes a compartilhar a postagem foi a de Youssef Blhaissi, porta-voz da Delegação Interministerial de Direitos Humanos do Marrocos. A instituição é um órgão de governo sediado em Rabat, e Youssef tem mais de 1,3 milhão de seguidores no Facebook. Ele não respondeu a um pedido de comentário feito pelo NYT.
Fonte da notícia: UOL Tecnologia https://www.uol.com.br/tilt/noticias/redacao/2026/08/11/como-onda-de-desinformacao-ajudou-na-ida-de-marroquinos-para-a-espanha.ghtm


