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Google veicula anúncios falsos com selo de verificação sobre Desenrola e Gov.br

O Google veiculou anúncios fraudulentos sobre programas públicos federais que contavam com o selo de anunciante verificado da plataforma. As peças enganosas utilizavam a identidade visual do governo federal para direcionar usuários a páginas falsas na internet. Em nota, a big tech declarou que mantém diretrizes rigorosas no Google Ads, combina inteligência artificial (IA) com revisão humana e atua de maneira imediata contra violações identificadas.

Os dados foram revelados em nota técnica elaborada por pesquisadores do NetLab UFRJ, laboratório de pesquisa da Universidade Federal do Rio de Janeiro. O levantamento foi feito entre os dias 12 e 25 de agosto na Central de Transparência de Anúncios da multinacional. O monitoramento identificou 69 campanhas fraudulentas voltadas a serviços públicos: 50 relacionadas ao Desenrola Brasil, 17 ao Sistema Valores a Receber (SVR) e duas focadas na Carteira Nacional de Habilitação (CNH) do Brasil.

O Google veiculou anúncios fraudulentos sobre programas públicos federais que contavam com o selo de anunciante verificado da própria plataforma. Foto: Reprodução/ChatGPT

O material enganoso explorava mensagens de apelo financeiro urgente para atrair pessoas com dívidas, com frases como “Seu nome está na lista para desenrolar” e “Valor Disponível em Seu Nome? Veja Agora”. As publicações também exibiam marcas oficiais como Gov.br, Canal Gov, Caixa Econômica Federal e o Brasão de Armas da República.

Perfis anunciantes fraudulentos

Ao todo, 44 perfis de anunciantes, divididos entre 23 pessoas jurídicas e 21 pessoas físicas, impulsionaram o conteúdo e encaminharam as vítimas para 35 páginas diferentes na internet. Contudo, nenhum dos endereços pertencia ao domínio governamental oficial. Pelo menos seis desses sites imitavam a página do governo para tentar roubar dados pessoais dos cidadãos, prática conhecida como phishing.

Segundo o estudo, todos os anunciantes identificados constavam como verificados pela empresa, o que demonstra que a checagem não impediu a veiculação de peças que violam as regras contra a falsificação de identidade e práticas comerciais enganosas. A diretora do NetLab, Débora Salles, identificou falhas graves de supervisão interna por parte da multinacional ao permitir a circulação desses materiais.

Nota Técnica da NetLab UFRJ “Google não garante a integridade de sua infraestrutura de publicidade” Foto: Reprodução/NetLab UFRJ

“Esses anúncios mostram que o Google não tem atuação diligente do ponto de vista da governança, da moderação, da verificação para impedir conteúdos irregulares e ilegais”, afirmou.

A pesquisadora destacou ainda o impacto financeiro da operação e o modelo de negócio da companhia, que arrecadou R$ 1,515 trilhão (US$ 294,69 bilhões) com anúncios em 2025, o equivalente a mais de 73% de toda a receita anual. “Parte da lógica da publicidade microssegmentada é encontrar o usuário que tem mais chance de clicar, comprar, consumir o conteúdo”, ressaltou a diretora do laboratório.

Fiscalização pública

O estudo indicou que a ferramenta de transparência da plataforma apresenta barreiras que dificultam a fiscalização pública. Como o sistema não permite pesquisas abertas por palavras-chave presentes nos textos dos anúncios, a equipe precisou vasculhar termos contidos diretamente nos endereços de internet promovidos, como “desenrola”, “habilita” e “valores”.

Exemplos de anúncios fraudulentos sobre o programa Desenrola Brasil Foto: Reprodução/NetLab UFRJ

A base nacional também não disponibiliza o total investido nas peças, a quantidade de pessoas atingidas nem permite o download completo dos arquivos. O risco aos internautas cresce devido à dificuldade frequente de distinguir entre links patrocinados e resultados comuns de busca, como apontado em estudo sobre usabilidade em mecanismos de busca.

O levantamento da UFRJ registrou que 25 das 50 propagandas sobre o Desenrola sumiram da Central de Transparência ao longo do monitoramento, sem indicação pública sobre eventual moderação pelo Google ou expiração de prazo.

Os pesquisadores alertam que as falhas de governança e a opacidade na publicidade representam riscos à integridade das eleições brasileiras de 2026, pois impedem que autoridades e a sociedade civil monitorem conteúdos com rapidez. Além disso, a situação ocorre sob o entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), que em 2025 estabeleceu a presunção relativa de culpa dos provedores de internet em casos de conteúdos ilícitos veiculados por anúncios e impulsionamentos pagos.

Exemplos de anúncios fraudulentos sobre o Sistema Valores a Receber Foto: Reprodução/NetLab UFRJ

Posicionamento do Google

Em nota oficial enviada sobre o caso, o Google defendeu a eficácia dos mecanismos internos de proteção:

“Temos políticas claras que definem as regras para anunciar no Google Ads e utilizamos uma combinação de inteligência artificial, atuando de forma preventiva, e revisores humanos para monitoramento. Quando identificamos uma violação, agimos imediatamente. No Brasil, ao longo de 2025, bloqueamos ou removemos 374 milhões de anúncios e suspendemos 1,3 milhão de contas no mesmo período, conforme os dados do Relatório de Segurança de Anúncios. Oferecemos uma ferramenta para que os usuários possam contribuir e também denunciem possíveis violações”.

Exemplo de anúncio fraudulento sobre o programa CNH do Brasil Foto: Reprodução/NetLab UFRJ

Conforme detalhado no balanço global publicado em abri pelo vice-presidente de Privacidade e Segurança de Anúncios da empresa, Keerat Sharma, o Gemini passou a integrar as barreiras preventivas da companhia. A ferramenta barra mais de 99% das violações antes da veiculação pública, segundo dados divulgados no relatório de segurança de anúncios do Google. Em escala global, a companhia registrou o bloqueio ou a remoção de mais de 8,3 bilhões de anúncios e a suspensão de 24,9 milhões de contas no último ano, incluindo 602 milhões de peças e 4 milhões de contas ligadas diretamente a esquemas de golpes.

Usuários lesados ou que flagrarem campanhas suspeitas podem formalizar denúncias diretamente pelo canal oficial de denúncias e suporte do Google, que recebe registros individuais segmentados por produto da empresa ou por violações jurídicas locais.

Exemplo de site que se passa por canal oficial do programa Desenrola Brasil Foto: Reprodução/NetLab UFRJ

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Fonte da notícia: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo https://www.estadao.com.br/tecmundo/ciberseguranca/google-veicula-anuncios-falsos-com-selo-de-verificacao-sobre-desenrola-e-govbr/

Luísa Giraldo

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