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Roda Tibia?! Urna Eletrônica das Eleições utiliza 4 GB de RAM e memória SSD

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A urna eletrônica brasileira pode até parecer um equipamento bastante distante de um PC gamer, mas quem olhar para suas especificações vai encontrar alguns componentes familiares. Nas Eleições 2026, o modelo mais numeroso em operação é a UE2020, enquanto a versão mais recente, a UE2022 produzida pela Positivo, utiliza processador Intel Atom, 4 GB de memória RAM e armazenamento interno em padrão M.2, bastante popular em computadores para jogos.

Apesar das especificações que podem chamar a atenção de quem acompanha hardware , a comparação com computadores convencionais precisa ser feita com cuidado. A urna não foi projetada para rodar jogos, navegar na internet ou executar uma grande variedade de programas: seu hardware é definido de acordo com as necessidades do processo eleitoral, enquanto o software e os mecanismos de segurança são desenvolvidos especificamente para o equipamento.

Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 563.910 urnas eletrônicas serão utilizadas nas Eleições Gerais de 2026, atendendo mais de 158,7 milhões de eleitoras e eleitores. São quatro modelos em operação neste ano — UE2022, UE2020, UE2015 e UE2013 —, sendo que os dois mais recentes representam 77% do total.

Qual é o hardware da urna eletrônica de 2026?

Placa-mãe com os componente da Urna Eletrônica. Foto: TSE

A UE2022, modelo mais recente da Justiça Eleitoral, traz um processador Intel Atom E3940 de 1,60 GHz, acompanhado de 4 GB de RAM DDR3L e gráficos integrados Intel Graphics 500. O armazenamento interno é feito por uma unidade de SSD no padrão M.2 de 4 GB, instalada em um soquete.

O equipamento também conta com hardware dedicado à segurança e perímetro criptográfico certificado pela ICP-Brasil. Há ainda uma fonte de energia inteligente, bateria de lítio-ferro-fosfato de 9 Ah, impressora térmica com comunicação USB criptografada e leitor biométrico HID DP5360 com comunicação criptografada.

Existem jogos que rodariam na urna eletrônica?

Em tese, o hardware da urna eletrônica, quando olhado simplesmente para a tabela de especificações, até conseguiria rodar certos jogos antigos e mais leves. Títulos como Stardew Valley, o MMORPG Tibia e até Counter-Strike 1.6 certamente rodariam em um computador trazendo um chip Intel Atom e 4 GB de RAM.

No entanto, apesar do hardware familiar, a urna eletrônica é 100% projetada para uma única função: ser o console da democracia brasileira. O dispositivo roda um sistema próprio para a função de computar votos e inclui medidas de segurança para evitar qualquer outro tipo de uso.

Na prática, portanto, não faz muito sentido olhar para os 4 GB de RAM ou para o armazenamento em SSD e compará-los diretamente com uma máquina doméstica. A urna precisa executar um conjunto relativamente restrito de aplicações, em um ambiente controlado e sem os serviços e processos em segundo plano que fazem parte de um computador convencional.

Qual o sistema operacional da urna eletrônica?

O hardware da urna eletrônica é apenas uma parte da equação. Segundo explica o TSE, o funcionamento do dispositivo depende principalmente do conjunto de softwares desenvolvido pela equipe técnica do tribunal, responsável por transformar as ações realizadas no equipamento em registros eleitorais que podem ser posteriormente auditados.

O sistema operacional utilizado atualmente é baseado no Linux e faz parte do Uenux, plataforma criada pelo TSE para unificar o software das diferentes gerações de urnas. O projeto surgiu depois das Eleições 2006, quando a manutenção de diferentes sistemas operacionais — incluindo versões do VirtuOS e do Windows CE — tornou-se um desafio para a equipe responsável pelo desenvolvimento.

A mudança foi implementada para as Eleições 2008, quando o Uenux passou a equipar todas as urnas utilizadas no país. Desde então, a plataforma recebe adaptações para acompanhar as novas gerações de hardware e incorporar mecanismos relacionados à segurança, auditoria e funcionamento do processo eleitoral.

Software de votação concentra as funções do eleitor

Um dos principais programas executados pela urna é o Software de Votação, conhecido como Vota. É nele que o eleitor informa os números dos candidatos, confere nomes e fotografias e confirma suas escolhas, enquanto o sistema também participa do controle realizado pelo mesário antes da liberação da votação.

O TSE explica que o Vota também é responsável por produzir os arquivos necessários para a totalização e pelo Boletim de Urna (BU), documento que apresenta o resultado daquela seção eleitoral. Nas urnas mais recentes, o BU também pode ser consultado por meio do QR Code, permitindo que os dados publicados sejam conferidos por ferramentas disponibilizadas pela Justiça Eleitoral.

Antes de chegar ao equipamento, todo esse conjunto de software precisa ser preparado junto com os dados correspondentes à seção eleitoral. O TSE utiliza o Gedai-UE, sistema responsável por preparar os cartões de memória utilizados pelos técnicos dos tribunais regionais eleitorais para instalar o Uenux, os dados de candidatos e as informações dos eleitores.

Por que a urna tem um hardware tão específico?

A especificação da urna eletrônica segue uma lógica diferente daquela encontrada no mercado de computadores. Em vez de buscar o máximo de desempenho possível, o projeto precisa equilibrar processamento suficiente, consumo de energia, durabilidade, segurança, controle do ambiente de execução e possibilidade de auditoria durante um processo que envolve milhões de eleitores.

Isso também ajuda a explicar por que uma ficha técnica com 4 GB de RAM e 4 GB de armazenamento pode parecer estranha para quem está acostumado a smartphones, notebooks ou PCs atuais. A capacidade não deve ser interpretada isoladamente: o equipamento executa software específico, em uma plataforma fechada para finalidades eleitorais e sem a necessidade de armazenar grandes volumes de dados pessoais ou arquivos multimídia.

O próprio histórico da urna mostra essa evolução. A cada nova geração, o TSE atualiza o hardware e incorpora recursos de segurança e interação, mas mantém como prioridade a execução controlada do sistema eleitoral e a possibilidade de testar e verificar seus componentes.


Fonte da notícia: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo https://www.estadao.com.br/tecmundo/voxel/roda-tibia-urna-eletronica-das-eleicoes-utiliza-4-gb-de-ram-e-memoria-ssd/

Mateus Mognon

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