Rede na China ocultava deepfakes de abuso em apps para Android e iOS


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Uma investigação da WIRED revelou que operadores na China estruturaram uma rede com mais de 400 aplicativos e sites para camuflar ferramentas de geração de deepfakes sexuais abusivos. O esquema operava dentro das lojas da Apple e do Google, aproveitando o mar de aplicativos genéricos de inteligência artificial para passar despercebido pelos filtros de segurança.
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Os serviços se passavam por aplicativos descartáveis de inteligência artificial. Conhecidos na indústria pelo termo “slop de IA” — programas genéricos, de baixa qualidade e feitos em massa —, os softwares fingiam oferecer filtros de retratos estilizados para animais de estimação, treinadores físicos automatizados e aulas de idiomas.
O aplicativo Viefur foi um dos exemplos de fachada identificados na apuração. Vendido publicamente como um criador de avatares antropomórficos para animais, o serviço escondia opções programadas para gerar montagens íntimas violentas e não consensuais a partir de fotografias enviadas pelos próprios usuários.
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A apuração encontrou no serviço recursos associados à criação de imagens sexuais abusivas. Os comandos incluiam cenas chamadas de ‘abuso no quarto’ e ‘faca ameaçadora’ .
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O sistema mostrava telas diferentes dependendo de quem estava acessando. A técnica, chamada no setor de segurança de camuflagem digital (cloaking), faz o aplicativo consultar um servidor externo no momento da instalação para checar o endereço IP, o país e a origem do clique antes de liberar qualquer recurso.
Revisores das lojas de aplicativos visualizavam apenas a versão inofensiva. Durante os testes de aprovação da Apple App Store e da Google Play Store, o servidor entregava o aplicativo comum de pets; já os usuários que clicavam em anúncios pagos nas redes da Meta recebiam a interface oculta com o gerador de deepfakes sexuais explícitos.
As cobranças passavam pelas carteiras oficiais das gigantes de tecnologia. Os pacotes de créditos necessários para gerar as montagens eram cobrados por meio do Apple Pay e do Google Pay, permitindo que a rede monetizasse o esquema diretamente pelas ferramentas de pagamento dos sistemas operacionais.
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O rastreamento começou após a identificação de propagandas em vídeo no Instagram. Especialistas da organização AI Forensics localizaram a malha de aplicativos ao cruzarem dados de campanhas publicitárias que promoviam imagens sexuais geradas por IA nas plataformas da Meta e levavam o público para as lojas oficiais.
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A infraestrutura técnica aponta para desenvolvedores em Hong Kong. Registros de domínios e certificados vincularam os softwares à empresa KeLing Technology Limited; logo após os primeiros pedidos de esclarecimento da reportagem, links públicos que ligavam a companhia aos aplicativos começaram a ser apagados.
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Google, Apple e Meta afirmaram que proíbem materiais abusivos. As companhias ressaltaram que mantêm diretrizes rígidas contra a exploração sexual e a criação de deepfakes prejudiciais, afirmando que trabalham na remoção contínua de aplicativos fraudulentos e na suspensão de contas envolvidas no esquema.
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Fonte original: www.uol.com.br
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