'Tsunami azul' abala Musk, IA e data centers nos EUA; o que pode acontecer

‘Tsunami azul’ abala Musk, IA e data centers nos EUA; o que pode acontecer
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A vitória democrata nas eleições de meio de mandato dos EUA virou um revés para Elon Musk, para bilionários da tecnologia e para a expansão dos data centers de IA, com restrições aprovadas em dezenas de cidades e uma governadora contrária a novas obras no Texas. A leitura, porém, não é de derrota da IA como um todo: analistas apontam que as gigantes de tecnologia e os principais laboratórios podem até sair fortalecidos.
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*Os democratas conquistaram a Câmara e o Senado, num resultado puxado principalmente pela insatisfação com o custo de vida e com a guerra no Irã.
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*Na pesquisa de boca de urna feita pelo instituto SSRS para NBC, ABC, CNN e outras redes, 56% dos eleitores disseram que IA e data centers foram fator crucial ou importante no voto para o Congresso, e esse grupo votou 64% a 34% nos democratas.
*Na mesma pesquisa, 76% disseram ser contra um data center na própria cidade e 57% acham que a IA vai fazer mais mal do que bem à sociedade; os eleitores se dividiram quase ao meio sobre qual partido lida melhor com a IA.
*Das 41 consultas populares sobre data centers em dez estados, cerca de duas dúzias de propostas para restringir ou barrar obras foram aprovadas nos primeiros resultados, segundo o Ballotpedia, citado pela Axios.
*Sete cidades proibiram de vez novos data centers, como Alhambra, na Califórnia, onde 82% votaram pela proibição, segundo o Gizmodo.
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*A rejeição não foi exclusiva de um partido: o governador republicano (e derrotado na candidatura à reeleição) do Texas, Greg Abbott, já tinha suspendido novas licenças para data centers em setembro, e candidatos dos dois lados acusaram os rivais de apoiar as obras.
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*No Texas, a democrata Gina Hinojosa derrotou Abbott e será a primeira governadora democrata do estado em mais de três décadas; ela promete uma moratória para data centers até o Legislativo aprovar regras sobre água, energia e conta de luz.
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*O estado concentra cerca de 27% da capacidade planejada de data centers nos EUA, segundo o banco Wells Fargo, e cerca de 13 gigawatts ficam imediatamente expostos, o suficiente para abastecer 10 milhões de casas, segundo a GLJ Research.
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*Democratas que defendem regras mais duras para data centers também venceram para governador na Geórgia, em Ohio e na Pensilvânia; somados ao Texas, metade das novas instalações previstas nos EUA pode enfrentar mais fiscalização, de acordo com a Bloomberg.
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*O investidor Brad Gerstner, da Altimeter Capital, estima que de 10 a 15 gigawatts previstos para 2027 podem atrasar.
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*Analistas, porém, não veem os democratas bloqueando as obras de vez: a corretora Jefferies avalia que as novas regras devem encarecer e burocratizar os projetos mais do que barrá-los.
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*Musk foi o maior doador da eleição, com pelo menos US$ 446 milhões, e destinou cerca de US$ 224 milhões só ao Texas, onde os candidatos republicanos ao Senado e ao governo perderam.
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*O democrata James Talarico, eleito senador pelo Texas, comparou sua vitória à de Davi contra Golias e citou o homem mais rico do mundo entre os adversários.
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*Os investidores Marc Andreessen e Ben Horowitz doaram US$ 116 milhões, e o casal Greg e Anna Brockman, da OpenAI, US$ 50 milhões, a maior parte para republicanos, segundo o Politico.
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*Os grupos de gastos eleitorais ligados à IA tiveram resultado misto: a Leading the Future e a rival Public First, ligada à Anthropic, emplacaram candidatos nas primárias, mas recuaram da maioria das disputas finais.
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*Musk reagiu nas redes dizendo que data centers no espaço pareciam bem atraentes naquele momento; a SpaceX, empresa dele, planeja levar computação de IA para a órbita, algo que o Google já fez.
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*Ações de empresas de data centers caíram: a CoreWeave recuou cerca de 5% e a Cipher Digital, 14%, segundo a Reuters; fornecedoras de energia expostas ao Texas, como a Vistra, perderam até 9%.
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*Tesla e SpaceX caíram cerca de 5%, e analistas avaliam que um Congresso democrata pode atrasar, com mais fiscalização, uma possível fusão entre as duas empresas de Musk.
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*Já Alphabet, Amazon, Meta e Microsoft subiram, e as ações de energia solar dispararam, com a First Solar em alta de quase 14%.
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*Para Ben Thompson, autor da newsletter Stratechery, o freio na construção de data centers pode beneficiar os grandes laboratórios de IA, como OpenAI e Anthropic.
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*O raciocínio: a corrida entre eles exigia gastos cada vez maiores com computação para pesquisa; agora é a sociedade que impõe um ritmo mais lento a todos, o que alivia as contas.
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*Com computação escassa, modelos mais eficientes ganham valor, e Thompson acredita que um Congresso democrata tende a aprovar leis que favorecem os grandes laboratórios em relação aos modelos abertos.
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*Ele também vê como vencedoras as gigantes de nuvem, que já têm terrenos e data centers para reaproveitar, e a Apple, porque a IA rodando no próprio aparelho ganha importância; perdem as empresas menores de nuvem, as startups e, no curto prazo, a Nvidia.
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*Thompson ressalva que os laboratórios ficam mais dependentes das gigantes de nuvem e que a China, com energia de sobra para construir, ganha vantagem.
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O recado das urnas não foi contra a IA em si, mas contra a forma como ela chega à vizinhança. Para muitos eleitores, a IA virou sinônimo de um galpão de computadores que encarece a energia e consome água, enquanto o argumento de vencer a China soa distante. Quando o custo aparece na conta de luz, o tema deixa de ser técnico e vira voto.
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Musk e os bilionários do setor esbarraram no limite do dinheiro na política. Os gastos recordes não evitaram derrotas e ainda viraram munição para os adversários, que transformaram o próprio cheque em tema de campanha.
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A suposta derrota da IA tem ganhadores dentro da própria IA. É como uma estrada que perde faixas: quem já está nela, como as gigantes de nuvem e os grandes laboratórios, ganha espaço, e quem queria entrar agora fica na fila. Para o usuário, o efeito colateral pode ser uma IA mais cara e menos gratuita, porque a computação deve continuar escassa por mais tempo.
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Daqui para frente o mais provável é que ocorra uma pausa nas licenças no Texas, mais audiências e investigações no Congresso e obras mais caras e demoradas pelo país. Parte dos projetos deve migrar para estados mais receptivos ou para outros países que disputam esses investimentos (incluindo a América Latina) – e eles vão levar junto o debate sobre água e energia.
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A IA não estava tecnicamente na cédula, mas estava implicitamente, e vai estar para sempre.
Ben Thompson, na newsletter Stratechery
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O discurso de ‘vencer a China’ não teve nenhum eco onde mais precisava.
Greta Joynes (lobista republicana do escritório Brownstein Hyatt Farber Schreck), em declaração ao Politico
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Muito mais areia nas engrenagens da expansão da IA.
Libby Cantrill (chefe de políticas públicas da gestora Pimco), em declaração à Bloomberg
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Qualquer freio no desenvolvimento da IA pode ameaçar segurar o crescimento.
Kit Rees (estrategista de investimentos da Quilter), em declaração à Reuters
Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.
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Fonte original: www.uol.com.br
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