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Golpe do Pix: como robô no WhatsApp ajuda você a evitar armadilha digital

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Golpe do Pix: como robô no WhatsApp ajuda você a evitar armadilha digital

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Oito a cada dez brasileiros foram expostos a golpes na internet em 2025. Diante da profusão de tentativas —são 226 por pessoa—, detectar armadilhas digitais vira tarefa difícil. Mas uma ferramenta gratuita no WhatsApp analisa conteúdos suspeitos e indica a possibilidade de ofertas imperdíveis, por exemplo, não passam de fraudes.

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É a EVA, nome da assistente de inteligência artificial da EXA, empresa de segurança digital resultante de joint venture entre FS Security e a TIM. Em operação desde meados de 2025, a EVA atendeu só em setembro 3.981 pessoas, que mandaram 15.371 mensagens. Averiguou 5.011 links para ela. E o resultado assusta: sete a cada dez links tinham sinal de golpe.

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O número das pessoas que recorrem à EVA é só a ponta do iceberg. Além dos dados que abrem esse texto, extraídos do relatório “O Estados dos Golpes 2026”, do Gasa (Aliança Global Antigolpe, na sigla em inglês), há outros indicativos de um cenário classificado como “pandemia de golpes”, diz Rodrigo Monteiro, vice-presidente de produto e inovação da EXA.

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Cerca de 24 milhões caíram em golpes com Pix ou boleto em doze meses, com prejuízo estimado em quase R$ 29 bilhões, de acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Num país em que até hospital põe totem na recepção avisando que não liga para ninguém, desconfiar deixou de ser paranoia. Virou rotina.

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Antes o golpista atingia milhares de pessoas. Agora, com escala, atinge milhões. Se antes ele convertia pouco, agora converte um monte

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Rodrigo Monteiro, vice-presidente de produto e inovação da EXA

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Um guardião que não tira folga

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Imagem: Mohamed Hassan/Pixabay

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A EVA funciona como um amigo desconfiado, só que disponível às 3h da manhã. Dá para encaminhar a ela o que for suspeito de golpe: link, print, QR Code, código Pix ou ainda apenas fazer um relato do que aconteceu. Vale tanto por voz quanto por texto. Em troca, ela faz uma análise do risco de ser fraude e diz o que fazer em seguida.

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O horário não é detalhe. Segundo o relatório da EXA, 54% das dúvidas chegaram fora do horário comercial, ou seja, quando a central do banco e o suporte da loja estão fechados. Ainda conforme o documento, o golpista não tira folga no fim de semana, já que sábados e domingos mantêm 85% do ritmo de um dia útil.

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Por trás da assistente há uma combinação de modelos de IA de Google, Anthropic e xAI. As informações são confrontadas com a base de conhecimento montada ao longo de anos pela EXA. Diferentemente de um amigo, no entanto, a EVA checa cada elemento enviado a ela:

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Link: uma ferramenta interna visita o site e devolve o contexto para o agente. Cada link passa ainda por dois classificadores do risco de acessar aquela página;

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QR Code: outra ferramenta lê o código, descobre para onde ele leva e trata o destino como um link;

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Imagem: o print é quebrado em pedaços e comparado, por similaridade, com a base de conhecimento da empresa. O objetivo é identificar sinais típicos da dinâmica de um golpe, seja no formato da mensagem, no tom do conteúdo ou dos elementos visuais;

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Pix: o código é verificado para detectar se a conta pertence à pessoa a quem se destina o pagamento.

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Quando o contexto é insuficiente, o robô pergunta.

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Não é só uma imagem que vai dizer se é fraude ou não. Eu quero saber: você recebeu de quem? A pessoa está mandando você pagar com urgência porque ganhou um prêmio? Ela vai juntando esses contextos até chegar a um nível de risco: alto, médio ou baixo

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Rodrigo Monteiro, vice-presidente de produto e inovação da EXA

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Em teste feito pelo UOL, a reportagem submeteu um SMS à EVA. Ele prometia a liberação de análise de crédito. Não informava de qual empresa partia a oferta, mas continha um link. A assistente da EXA acessou a página e constatou que estava fora do ar. Ainda assim, classificou o envio, feito por um número comum, como “risco moderado”. Recomendou não clicar no link, bloquear o remetente e apagar a mensagem.

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Depois de acionar a EVA, a pessoa pode receber ainda boletins informativos sobre ataques novos ou que estejam em alta.

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Há uma ressalva, no entanto. Além de não dar 100% de certeza sobre um golpe, mas apenas expor os elementos que indicam a probabilidade de ser uma fraude, a EVA não faz outras coisas, como bloquear pagamento, recuperar dinheiro, substituir banco, polícia ou Procon ou dar parecer jurídico e financeiro.

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Proteção de dados pessoais

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A EVA é um dos serviços do pacote da EXA para assinantes. Foi aberta gratuitamente ao público geral com dois propósitos: divulgação das ofertas pagas e para tomar contato com o tipo de golpe que preocupa as pessoas. Segundo Monteiro, não há uso das conversas para treinar os modelos de inteligência artificial.

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“A gente não treina com conversa que tem dado pessoal. A gente tem uma categorização automática: é golpe do falso advogado, é falsa central. Não é qualitativo, é quantitativo. É um termômetro para ver se tem tendência de crescimento em algum tipo de fraude”, diz Rodrigo Monteiro.

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Nem todos os relatos se encaixam nas categorias existentes de golpe. Quando surge uma nova modalidade de fraude ainda não catalogada, ela entra na base de conhecimento da empresa. Para a EXA, seu principal ativo é essa memória de armadilhas, não a tecnologia.

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Ainda assim, a EVA guarda dados anonimizados e um histórico limitado das conversas para avisar se surgiram novas roupagens dos golpes relatados.

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Golpe virou produto descartável

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Dentre os golpes averiguados pela EVA em setembro, as lojas falsas e os anúncios fraudulentos lideram com folga, com 29% das ocorrências. Fraudes com Pix, boleto e cobrança aparecem em segundo (12%), seguidos de investimento e cripto (8,8%) e falsa central bancária (7,2%).

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O varejo é o setor mais copiado, com metade dos links que imitam uma marca. A Magazine Luiza foi a marca isolada mais imitada: 75 links, 91% deles com sinal de golpe. A Havan teve 30, com 97%. Somados, os endereços que imitam governo e Caixa chegam a 78 links.

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O caso do mês foi a falsa Receita Federal, que cobra por Pix uma suposta regularização de CPF. Tudo mentira, já que o governo federal não cobra por WhatsApp nem por link.

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Há, por fim, um dado que a EXA exibe com orgulho: só 0,1% das perguntas —ou18 relatos— chegaram com o dano já feito, ou seja, pagamento feito, clique dado ou informação entregue.

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Quando o relógio corre contra

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Quem escreve “caí no golpe, e agora?” sai do agente preventivo e entra em outro fluxo, também no WhatsApp. A EXA mantém uma base com os contatos oficiais de cada banco, do Nubank ao Bradesco, e um roteiro do que fazer: acionar o banco, registrar boletim de ocorrência online e pedir a devolução pelo MED (Mecanismo Especial de Devolução), a ferramenta do Banco Central para estornar Pix em caso de fraude.

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“O tempo, nas nossas análises, é dinheiro. Quanto mais rápido você abre a contestação no banco, mais rápido consegue recuperar pelo MED”, alerta Monteiro.
Rodrigo Monteiro, vice-presidente de produto e inovação da EXA

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O robô, porém, não aperta o botão por ninguém. Pelas regras do BC, só o titular pode pedir a contestação. As taxas de recuperação do dinheiro via MED sobem conforme a velocidade da contestação.

Defenda a verdade

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Fonte original: www.uol.com.br

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