Chefões da IA viram revolta das urnas na ópera; OpenAI já prepara mudanças

Chefões da IA viram revolta das urnas na ópera; OpenAI já prepara mudanças
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Enquanto as maiores figuras da IA assistiam a uma ópera em San Francisco na noite da eleição americana, as urnas mostravam uma rejeição quase total à construção de novos data centers – e, dois dias depois, a OpenAI já anunciava um pacote de promessas para tentar reconquistar as comunidades. O setor corre para reembalar sua expansão bilionária, mas a dúvida é se compromissos voluntários bastam para eleitores que acabaram de dizer não nas urnas.
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*Executivos da IA se reuniram na noite da eleição na Ópera de San Francisco para assistir a ‘As Bodas de Fígaro’, num evento organizado por Jensen Huang, presidente-executivo da Nvidia, segundo o The Wall Street Journal.
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*Entre vinho e canapés, convidados de smoking comentavam os resultados que chegavam, quase todos contrários à expansão dos data centers, segundo pessoas presentes ouvidas pelo jornal.
*Na manhã seguinte, líderes da OpenAI discutiam se teriam de rever as expectativas de capacidade de data centers para o ano que vem, segundo o The Wall Street Journal.
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*Das 41 consultas populares sobre data centers em dez estados, os eleitores ficaram contra a expansão em 40, segundo levantamento do Ballotpedia com resultados reunidos pela CNBC.
*Na pesquisa de boca de urna do instituto SSRS, 56% dos eleitores disseram que os data centers foram fator crucial ou importante no voto para o Congresso.
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*Texas, Geórgia e Ohio, onde venceram candidatos a governador críticos aos data centers, concentram mais de 40% da capacidade planejada nos EUA, segundo o banco Evercore ISI; no Texas, a governadora eleita Gina Hinojosa promete pausar novas obras até o Legislativo aprovar regras.
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*O investidor Brad Gerstner estima que de 25% a 35% da expansão prevista para o ano que vem nos EUA pode estar em risco.
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*O investimento em IA deve responder por 1,9% do PIB americano neste ano, segundo o Goldman Sachs, e a área está ligada a 750 mil novos empregos nos EUA desde 2023, segundo estimativas do LinkedIn.
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*Projetos já aprovados devem seguir, mas outros, mesmo em fase avançada de planejamento, podem ser adiados ou cancelados, e a construção civil, que tinha nos data centers seu principal motor, tende a desacelerar.
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*As ações de empresas de data centers voltaram a cair: a CoreWeave recuou quase 10% e a Applied Digital, quase 7%.
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*Nesta quinta (5), a OpenAI publicou um conjunto de compromissos para os data centers que for dona e operar: pagar todo o custo da energia, para que moradores não paguem a conta, e deixar de usar acordos de sigilo com autoridades locais.
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*A empresa também promete ouvir as comunidades, publicar os planos de obra, divulgar dados sobre barulho, água e energia, reduzir o consumo nos horários de pico, devolver eletricidade à rede e definir metas de contratação local.
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*A OpenAI diz que vai prestar contas publicamente do cumprimento dessas promessas e defende que elas virem lei.
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*Segundo Chris Lehane, chefe de assuntos globais da empresa, o plano estava sendo preparado desde agosto, antes da eleição, mas ele admite que alguns projetos da OpenAI podem atrasar.
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*Meta, Microsoft, Google e Anthropic já tinham anunciado compromissos parecidos, segundo a CNBC.
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*O setor tenta reembalar a expansão: além de trocar o nome de data centers por “campi de computação”, empresas oferecem dinheiro às comunidades, como dividendos e benefícios para escolas e cidades, segundo a Axios.
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*Os democratas eleitos não devem acabar com os data centers – a Virgínia, governada só por democratas, é o maior polo do país, e sindicatos apoiam as obras -, mas chegam com exigências.
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*Entre elas estão as empresas pagarem pela infraestrutura e trazerem a própria energia, o fim dos incentivos fiscais, garantias ambientais e trabalhistas e nada de acordos secretos.
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A cena da ópera resume a distância entre o setor de IA e o eleitor comum. Enquanto executivos de smoking acompanhavam os resultados entre um ato e outro, moradores de cidades pequenas votavam para barrar galpões de computadores perto de escolas e casas. A revolta pegou de surpresa justamente quem mais depende dessas obras.
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A resposta da OpenAI é rápida, mas não é nova. Pagar a energia, abrir os planos de obra e acabar com acordos sigilosos são exigências que comunidades e candidatos faziam havia meses, e várias rivais já tinham prometido algo parecido. A diferença agora é o tom: depois das urnas, ouvir a comunidade deixou de ser gentileza e virou condição para construir.
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O teste vai ser cumprir o que foi prometido. Compromissos voluntários são como uma promessa de vizinho: valem enquanto há confiança. Por isso a própria OpenAI defende que as regras virem lei – o que também ajuda a empresa a influenciar como essas leis vão ser escritas, num Congresso agora controlado por quem a criticou.
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No fim, quem paga a conta é o ritmo da IA. Se as obras ficarem mais caras e demoradas, a computação continua escassa e os serviços de IA podem ficar mais caros ou limitados. Para a economia americana, que vinha sendo puxada por esses investimentos, a desaceleração também tem custo – e é esse equilíbrio entre crescimento e vizinhança que vai definir a próxima fase da corrida.
Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.
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Fonte original: www.uol.com.br
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