'Bolha da IA' começa a desinflar? Revolta das urnas nos EUA atinge mercados
‘Bolha da IA’ começa a desinflar? Revolta das urnas nos EUA atinge mercados
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As ações de empresas ligadas à IA tiveram nesta quinta (5) o pior dia desde 2025, apagando cerca de US$ 2,5 trilhões em valor de mercado, depois que eleitores americanos votaram majoritariamente contra a inteligência artificial. O tombo reacendeu o debate sobre uma possível bolha da IA – um cenário ainda hipotético, em que os preços teriam subido muito além do que as empresas conseguem render – e já respinga nos planos de abrir capital da Anthropic e da OpenAI.
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*O índice Nasdaq Composite, que reúne empresas de tecnologia, caiu 5,5% na quinta-feira, o pior dia desde o tarifaço de Trump em abril de 2025, e já está cerca de 10% abaixo do recorde de um mês atrás.
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*Uma queda desse tamanho é chamada no mercado de correção, termo usado para quedas mais sérias que uma oscilação comum.
*O índice das fabricantes de chips despencou 12,3%, o pior dia desde o começo da pandemia, e o S&P 500, que reúne as maiores empresas americanas, caiu 4,4%.
*As maiores perdas foram de fornecedoras da construção de data centers: a AMD caiu 17,3%, a Dell, 15%, e a Vertiv, de equipamentos elétricos, 14%.
*Amazon, Alphabet, Microsoft, Meta e Oracle também caíram, mas menos, porque podem até se beneficiar de uma desaceleração nos gastos com IA, segundo a Axios.
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*Pequenos investidores, que costumam comprar ações em quedas, venderam com força: foi o maior movimento de venda desde a pandemia, segundo a Vanda Research.
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*O VIX, índice conhecido como termômetro do medo em Wall Street, saltou 61%, ao maior nível desde as primeiras semanas da guerra no Irã.
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*A queda se espalhou pelo mundo: na sexta (6), o índice Nikkei, do Japão, caiu 6% e o Kospi, da Coreia do Sul, mais de 8%; na Europa, as bolsas de Londres e Frankfurt recuaram 1,9%, segundo o The Guardian.
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*A vitória de candidatos que defendem limites à IA e a aprovação de dezenas de restrições a data centers levaram investidores a rever apostas em empresas que lucram com essas obras.
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*A maioria das restrições aprovadas é limitada e não vale para projetos já em andamento, mas a reação do mercado foi muito forte, segundo a Axios.
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*Outros fatores ajudaram: a Microsoft passou a fiscalizar mais de perto projetos de data centers de empresas menores de nuvem, segundo a Bloomberg, e dirigentes do banco central americano defenderam juros mais altos para conter a inflação.
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*O seguro contra calote da CoreWeave e da SpaceX, que investidores compram para se proteger, atingiu valores recordes, sinal de que o mercado vê mais risco de as empresas não pagarem suas dívidas, segundo a Reuters.
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*Larry Fink, presidente da gestora BlackRock, está entre os que avaliam que frear com força a construção de data centers poderia levar os EUA a uma recessão, segundo o The New York Times.
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*Potenciais investidores duvidam que a Anthropic, dona do Claude, consiga iniciar na semana que vem as apresentações a investidores que antecedem a estreia na bolsa, prevista para novembro, segundo a Reuters.
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*Parte deles considera a avaliação de US$ 1,5 trilhão, discutida recentemente, alta demais e pressiona por um desconto maior; no começo do ano, falava-se em até US$ 2 trilhões.
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*Segundo o The Wall Street Journal, grandes investidores estão céticos de que a empresa alcance esse valor, e há quem fale em captar menos dinheiro ou adiar a estreia.
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*Investidores também esperam a receita de outubro, deixada em branco no prospecto atualizado, para saber se a empresa voltou a acelerar depois de uma desaceleração recente.
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*No mercado de apostas Kalshi, as chances de a Anthropic abrir capital antes de 1º de dezembro caíram bastante na última semana; a empresa não quis comentar.
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*A OpenAI, que levantou cerca de US$ 180 bilhões em dois anos, reduziu em pelo menos um terço a meta da nova rodada e agora busca investidores com avaliação de US$ 1,25 trilhão, abaixo dos até US$ 1,5 trilhão pretendidos em setembro, segundo o The New York Times.
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*O SoftBank, que já colocou cerca de US$ 65 bilhões na empresa, discute investir agora só centenas de milhões de dólares.
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*A expectativa ainda é fechar a rodada, de até US$ 20 bilhões, nas próximas semanas.
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*Não há consenso de que a IA viva uma bolha: o S&P 500 ainda acumula alta de 7,4% no ano, e o ciclo de alta da bolsa iniciado há quatro anos continua de pé, segundo a Axios.
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*Mesmo depois do tombo, o Nasdaq Composite ainda acumula alta de 4,6% no ano.
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*Historicamente, booms de investimento como os de canais, ferrovias e internet terminaram com quedas fortes nos mercados, porque é difícil frear esse tipo de euforia sem provocar uma corrida de vendas.
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*O debate de fundo é se a receita das empresas de IA vai crescer rápido o bastante para pagar os gastos gigantescos com infraestrutura.
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A bolha da IA ainda é uma hipótese, mas a semana mostrou como ela poderia murchar. Não foi um balanço ruim nem uma tecnologia que deu errado: bastou o eleitor sinalizar que não quer data centers no quintal para o mercado recalcular quanto vale apostar nessa expansão. É como um prédio cujo preço depende de andares que ainda nem foram autorizados.
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O tombo não atinge todos do mesmo jeito. Quem vende peças e equipamentos para as obras caiu mais, porque depende de a construção continuar no ritmo prometido. As gigantes de tecnologia perderam menos, já que gastar menos também pode melhorar as contas delas. Ou seja, o mercado não está dizendo que a IA acabou, e sim que a fase de gastar sem limite pode estar no fim.
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Os IPOs viraram o termômetro mais sensível. A estreia da Anthropic na bolsa era tratada como o grande teste do setor, e agora pode sair mais barata ou mais tarde. A OpenAI enfrenta o mesmo vento contrário ao captar menos que o esperado. Se as duas empresas de IA mais valiosas do mundo precisarem aceitar valores menores, o recado vai além delas: o dinheiro fácil para a IA ficou mais caro.
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Ainda é cedo para decretar o estouro. Quedas fortes fazem parte de mercados agitados, e a demanda por IA segue crescendo. O que muda é o critério: investidores passam a exigir que a receita apareça antes de pagar por promessas. Para quem usa IA no dia a dia, um setor com menos dinheiro sobrando tende a cobrar mais caro pelos serviços e a lançar novidades num ritmo mais lento.
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É isso que acontece nas bolhas históricas, e pode acontecer bem rápido.
John D. Turner (professor de finanças da Queen’s University Belfast e coautor de um livro sobre bolhas financeiras), em declaração à Axios
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Estamos vendo uma espécie de greve de compradores em tecnologia.
Keith Lerner (diretor de investimentos da Truist Advisory Services), em declaração à Reuters
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Os mercados estão acendendo sinais de alerta sobre um descompasso financeiro crescente.
Andrew Ross Sorkin (colunista do The New York Times), na newsletter DealBook
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Não vemos os democratas abrindo mão desse motor de crescimento.
Mohit Kumar (economista do banco de investimento Jefferies), em declaração ao The Guardian
Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.
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Fonte original: www.uol.com.br
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