Streamers que exibiram morte de colega em live são julgados na França

Naruto, de 27 anos, e Safine, de 24, proprietários do canal Lokal, respondem por acusações de violência praticada em grupo, abuso de pessoa vulnerável, divulgação de imagens violentas e incitação ao ódio ou à violência. As acusações dizem respeito ao tratamento dispensado a Graven e a outras duas pessoas nos meses que antecederam sua morte.
O caso veio à tona no fim de 2024, quando o site Mediapart revelou a existência de vídeos violentos no canal dos dois streamers, transmitidos a partir de Contes, cidade próxima a Nice, pela plataforma australiana Kick.
A Justiça abriu uma investigação após a divulgação de imagens que mostravam Graven sendo insultado, agredido, tendo os cabelos puxados, sendo ameaçado e até atingido por disparos de paintball sem qualquer proteção durante transmissões ao vivo. O canal reúne quase 200 mil inscritos.
Nos vídeos, outra pessoa, visivelmente uma pessoa com deficiência, Stéphane G., conhecido pelo apelido de Coudoux, também aparecia como alvo de agressões. As imagens mostram ainda um menor sendo arremessado sobre Graven durante uma luta simulada. Ambos figuram como vítimas no processo.
Naruto e Safine chegaram a ser detidos em janeiro de 2025. No entanto, assim como as pessoas apontadas como vítimas, os streamers afirmaram que a violência era encenada para atrair audiência e incentivar contribuições financeiras dos espectadores, cuja receita seria posteriormente dividida entre os participantes. Todos acabaram liberados.
Segundo a Promotoria de Nice, os vídeos eram altamente lucrativos: entre 2021 e 2025, Graven recebeu pelo menos 140 mil euros (cerca de R$ 826 mil) de diversas plataformas. No caso de Naruto, o valor chegou a quase 460 mil euros (aproximadamente R$ 2,7 milhões) entre 2022 e 2025. Já Safine recebeu mais de 200 mil euros (cerca de R$ 1,18 milhão) entre 2021 e 2025.
Fonte da notícia: UOL Tecnologia https://www.uol.com.br/tilt/ultimas-noticias/rfi/2026/07/06/streamers-que-exibiram-morte-de-colega-em-live-sao-julgados-na-franca.htm



