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Truxton Extreme é o jogo que me fez agradecer por não ter vivido a época dos fliperamas

A nostalgia é uma das armas mais utilizadas pela indústria dos games para conquistar jogadores. Afinal, basta olhar qualquer discussão na internet para encontrar alguém dizendo que “os jogos de antigamente eram melhores” e que a vida era muito mais legal antigamente — confesso que eu mesmo já caí nessa conversa algumas vezes.

Mas Truxton Extreme, lançado em 30 de julho no PC e consoles, me fez perceber que essa máxima nem sempre faz sentido. Revivendo um clássico que nasceu nos fliperamas em 1988, o remake me deixou extremamente feliz por nunca ter precisado depender de fichas para aproveitar essa experiência.

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Se eu tivesse conhecido Truxton na época dos arcades, provavelmente teria gasto uma pequena fortuna jogando. Felizmente, em 2026, tudo o que perdi foi um pouco da minha sanidade enquanto repetia a mesma fase dezenas de vezes até finalmente dominar seus padrões.

Uma experiência clássica de “navinha” adaptada para os tempos modernos

Desenvolvido pela TATSUJIN e publicado pela Clear River Games, Truxton Extreme marca o primeiro jogo inédito da franquia em impressionantes 38 anos. Com participação de Masahiro Yuge, criador do original, o projeto deixa claro desde os primeiros minutos que não pretende reinventar a roda, mas sim mostrar como um shoot’em up clássico pode sobreviver no mercado atual.

A base continua exatamente aquela que conquistou os fliperamas no fim dos anos 80. Você controla uma nave em fases de rolagem vertical, enfrenta centenas de inimigos, coleta diferentes tipos de armamentos e encara chefes gigantescos enquanto tenta sobreviver ao verdadeiro espetáculo de tiros que toma conta da tela.

A diferença é que tudo isso ganhou uma apresentação completamente reconstruída em três dimensões. Os cenários preservam a identidade visual do clássico, mas agora contam com profundidade, iluminação moderna e efeitos que deixam a ação ainda mais impressionante, tudo sem descaracterizar o material original.

O remake também amplia bastante o pacote de conteúdo. Além do tradicional modo Arcade, Truxton Extreme traz um modo História que utiliza páginas de HQ para apresentar seus personagens e contextualizar a campanha, além de opções como Arena, Treinamento r cooperativo para dois jogadores.

Essa preocupação em oferecer alternativas faz bastante sentido, principalmente porque o gênero deixou de ser popular há muitos anos. Em entrevista ao Voxel, Masahiro Yuge comentou que os shoot’em ups acabaram ganhando fama de serem jogos difíceis, quando, na visão dele, o principal objetivo sempre foi oferecer diversão — e fica evidente que Truxton Extreme tenta equilibrar esses dois lados.

Todas as novidades também são uma realização para o criador do jogo original, que finalmente conseguiu tirar do papel ideias que não eram possíveis há quatro décadas.  “Sempre senti que havia algo inacabado. Existiam muitas ideias e recursos que simplesmente não conseguimos implementar por causa das limitações do hardware e do cronograma de desenvolvimento”, explicou o desenvolvedor, em entrevista ao Voxel.

Gameplay viciante, mas preparado para testar sua paciência

Quando o assunto é gameplay, Truxton Extreme entrega exatamente aquilo que promete: uma experiência extremamente viciante, mas que não faz qualquer esforço para aliviar sua dificuldade. Assim como acontecia no original, não existe um modo fácil tradicional, com o título permitindo apenas aumentar o número de vidas ou bombas extras — recurso que automaticamente impede sua participação nos rankings online.

O resultado é uma campanha que pune praticamente qualquer erro, mas recompensa cada pequeno avanço conquistado. Minha relação com Truxton Extreme acabou se transformando em uma espécie de luta de boxe diária: eu apanhava sem parar, mas conseguia perceber claramente minha evolução a cada nova tentativa.

Truxton Extreme não economiza em efeitos visuais.

O mais interessante é que a dificuldade raramente parece injusta. Conforme você memoriza os padrões dos inimigos, aprende o posicionamento dos chefes e entende como utilizar cada arma, a sensação deixa de ser de pura sobrevivência e passa a ser de domínio, exatamente como os grandes shoot’em ups sempre fizeram.

Felizmente, o remake entende que nem todo mundo cresceu frequentando fliperamas. Os modos de treinamento permitem praticar fases específicas, enquanto recursos adicionais ajudam iniciantes a se familiarizar com a proposta antes de encarar os desafios mais difíceis.

A variedade de armas também impede que as partidas se tornem repetitivas. Entre disparos concentrados, lasers, tiros teleguiados e outras opções que evoluem ao longo da campanha, existe espaço para experimentar diferentes estratégias e adaptar seu estilo de jogo conforme cada fase exige.

Durante meus testes no Nintendo Switch 2, Truxton Extreme também combinou perfeitamente com o formato híbrido do console. Tanto no modo portátil quanto na TV, os controles responderam muito bem, tornando o jogo perfeito para partidas rápidas durante pequenos intervalos do dia.

Um remake que respeita o passado sem deixar de olhar para frente

Visualmente, Truxton Extreme entrega uma verdadeira aula sobre como modernizar um clássico sem apagar sua identidade. Em vez de simplesmente aplicar filtros de alta resolução, a equipe reconstruiu praticamente todos os elementos do jogo em três dimensões, preservando a essência dos inimigos e cenários criados há quase quatro décadas.

O cuidado com esse trabalho aparece inclusive onde poucos jogadores irão reparar. A galeria de extras revela modelos tridimensionais completos até de pequenas naves inimigas que mal podem ser observadas durante a ação frenética, demonstrando um nível de dedicação que dificilmente seria percebido apenas durante a campanha.

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Truxton Extreme conta com modelos 3D de naves.

A trilha sonora também merece elogios. Masahiro Yuge retorna para revisitar temas clássicos da franquia ao mesmo tempo em que adiciona composições inéditas, criando uma combinação que consegue soar nostálgica sem parecer presa ao passado.

Por outro lado, Truxton Extreme definitivamente não economiza nos efeitos visuais. Explosões, lasers, partículas e projéteis dividem espaço na tela praticamente o tempo inteiro, o que pode assustar jogadores menos acostumados com bullet hells, mas representa exatamente o tipo de espetáculo que os fãs do gênero procuram.

Minha principal ressalva fica para a narrativa em formato de quadrinhos. Embora seja uma adição interessante para expandir o universo do jogo, as interrupções acabam quebrando um pouco o ritmo acelerado da campanha, algo que felizmente pode ser contornado explorando os demais modos disponíveis.

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Campanha de Truxton Extreme conta com histórias em quadrinhos para contar história.

Na parte técnica, o jogo também faz um bom trabalho, mas ainda tropeça em alguns detalhes. Apesar de contar com legendas em português brasileiro, parte da interface e de alguns menus permanece em inglês, criando pequenas inconsistências que chamam atenção ao longo da experiência.

Vale a pena?

Truxton Extreme é exatamente o tipo de remake que transmite carinho pelo material original em cada detalhe. O gameplay continua brutalmente difícil, mas também absurdamente viciante, entregando aquela clássica sensação de evolução baseada exclusivamente na habilidade do jogador — e, felizmente, sem exigir uma pilha de fichas para cada tentativa.

Além da nostalgia, o pacote impressiona pela quantidade de conteúdo, pelos modos extras e pelo cuidado colocado na reconstrução visual do clássico. Ainda assim, vale lembrar que estamos falando de um shoot’em up extremamente tradicional e que jamais tenta esconder sua natureza de nicho.

Se você gosta de jogos de navinha, bullet hells ou simplesmente quer conhecer um dos nomes mais importantes da história do gênero, Truxton Extreme é uma recomendação interessante, principalmente pelo preço que parte de R$ 74. Agora, se a simples ideia de morrer dezenas de vezes na mesma fase já parece frustrante, talvez seja melhor experimentar a demo gratuita antes de embarcar nessa viagem ao passado.

Nota: 80/100

Pontos positivos (Prós):

  • Gameplay extremamente viciante e recompensador
  • Suporte para multiplayer local para duas pessoas
  • Novos conteúdos que justificam o remake
  • Belíssima reconstrução visual em 3D
  • Excelente desempenho no Nintendo Switch 2
  • Ótimo custo-benefício

Pontos negativos (Contras):

  • Dificuldade elevada pode afastar novos jogadores
  • História em quadrinhos para contar a narrativa da campanha
  • Parte da interface permanece em inglês

Uma cópia de Truxton Extreme foi cedida pela desenvolvedora para review. O jogo já está disponível no PC, PS5, Xbox Series S/X e Nintendo Switch 2.


Fonte da notícia: Novidades do TecMundo https://www.tecmundo.com.br/voxel/505001-truxton-extreme-e-o-jogo-que-me-fez-agradecer-por-nao-ter-vivido-a-epoca-dos-fliperamas.htm

Mateus Mognon

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