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IPO da Anthropic tem IA 'mais transformadora que eletricidade' e prejuízos

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IPO da Anthropic tem IA ‘mais transformadora que eletricidade’ e prejuízos

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A Anthropic, dona do Claude, tornou público nesta segunda (26) o prospecto do IPO (oferta pública inicial de ações), que pode ser o maior da história, com receita de US$ 16,3 bilhões e prejuízo de US$ 80,7 bilhões no primeiro semestre. As primeiras reações se dividem entre quem prevê forte procura pelas ações e quem questiona o preço, os gastos bilionários com computação e o pouco poder de voto que os novos acionistas terão.

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Como vai ser a estreia na bolsa

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*O prospecto foi entregue à SEC (Securities and Exchange Commission), o xerife do mercado de capitais dos Estados Unidos, e detalha a empresa para quem quiser comprar suas ações.

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*As ações vão ser negociadas na Nasdaq, a bolsa americana das gigantes de tecnologia, com o código “ANT”.

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*O preço por ação e o número de papéis à venda ainda estão em branco; Goldman Sachs e Morgan Stanley lideram os 22 bancos que vão organizar a oferta.

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*Segundo o The Wall Street Journal, a estreia está prevista para a semana de 16 de novembro, com captação de US$ 100 bilhões ou mais e avaliação entre US$ 1,5 trilhão e US$ 2 trilhões.

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*Na última rodada com investidores privados, em maio, a Anthropic foi avaliada em US$ 965 bilhões; a SpaceX, que estreou na bolsa em junho, saiu valendo US$ 1,77 trilhão.

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*Além das ações novas, que levam dinheiro para o caixa da empresa, acionistas atuais também vão vender parte dos seus papéis na oferta.

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Os números: receita em alta e prejuízo bilionário

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*A receita foi de US$ 41 milhões em 2023 para US$ 4,6 bilhões em 2025 e chegou a US$ 16,3 bilhões no primeiro semestre de 2026, 14 vezes mais que no mesmo período do ano anterior.

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*O prejuízo líquido foi de US$ 42 bilhões em 2025 e de US$ 80,7 bilhões no primeiro semestre de 2026; o prejuízo acumulado desde a fundação passa de US$ 130 bilhões.

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*Segundo o PPC Land, quando esses títulos virarem ações, a fatia dos demais acionistas diminui.

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*No segundo trimestre, a empresa faturou US$ 11,6 bilhões e teve lucro operacional de US$ 974 milhões, o primeiro da sua história; no semestre, a operação ainda deu prejuízo de US$ 693 milhões.

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*A Anthropic já captou US$ 141,1 bilhões desde a fundação e tinha US$ 131,7 bilhões em caixa e aplicações no fim de junho.

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*Mais de 11.900 clientes pagam US$ 100 mil ou mais por ano à empresa, contra cerca de 950 um ano antes, e os cinco maiores respondem por cerca de 25% da receita.

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*O gasto com computação – os chips e data centers que fazem a IA funcionar – foi de US$ 8,9 bilhões no semestre, contra US$ 2,3 bilhões um ano antes.

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*O documento lista contratos de longo prazo com Google (US$ 114,5 bilhões), Amazon (US$ 110 bilhões) e Microsoft (US$ 44,9 bilhões), todos valores mínimos, além de aluguéis de equipamentos da Broadcom de cerca de US$ 161,2 bilhões, mas deixa em branco o total comprometido.

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*Pelas contas do Yahoo Finance, só os contratos que não podem ser cancelados somam US$ 430 bilhões, e, segundo o Gizmodo, o acordo com a SpaceXAI, de Elon Musk, é dezenas de bilhões de dólares maior do que se sabia.

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*A receita do terceiro trimestre também ficou em branco; segundo o Financial Times, a empresa disse a investidores que faturou US$ 16,8 bilhões no período.

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A carta dos fundadores

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*Os sete cofundadores, entre eles os irmãos Dario e Daniela Amodei, assinam uma carta aos futuros acionistas que começa assim: “Acreditamos que a IA é uma das tecnologias de maior impacto da história humana”.

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*Segundo a CNN, a carta apresenta a visão do grupo sobre o valor da IA e os principais riscos que eles enxergam para o negócio.

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*O resumo do prospecto abre dizendo que, “pela primeira vez na história, a inteligência é algo que os humanos conseguem construir”.

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*A empresa afirma que a IA vai transformar a economia mais do que a industrialização, a eletricidade, os semicondutores e a internet.

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*O documento prevê, para os próximos anos, sistemas capazes de igualar os melhores especialistas humanos e de trabalhar sozinhos em tarefas que duram dias ou semanas.

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*O texto repete as promessas sociais: 5% das ações (846,8 milhões de papéis) já foram para um fundo de benefício público, que pode receber mais 2% a cada valorização de 50% da ação, e cada cofundador promete doar 80% da sua fatia na empresa.

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Os riscos listados no prospecto

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*A empresa diz que seus modelos já mostraram comportamentos de autopreservação em testes, como tentar resistir a ser desligados, esconder ou manipular informações e agir de um jeito parecido com chantagem.

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*O documento reconhece que uma IA avançada pode representar um risco catastrófico ou até existencial para a humanidade.

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*Numa avaliação mal configurada, quatro modelos ficaram conectados à internet e acessaram sistemas reais de terceiros; um deles leu dados pessoais de uma pessoa, e a empresa diz ter avisado os afetados.

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*A Anthropic avisa que nenhuma seguradora, e talvez nem o setor de seguros inteiro, teria capacidade para cobrir uma catástrofe causada por IA.

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*Os modelos já ajudam a construir as próprias versões seguintes, e a empresa diz que um defeito pode passar de geração em geração e que ela pode só perceber uma aceleração depois que ela tiver acontecido.

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IAgora?

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O prospecto mostra uma empresa que cresce rápido, mas que ainda depende de dinheiro de fora e de apostas sobre o futuro. A receita se multiplicou em um ano e a operação deu lucro em um trimestre; ao mesmo tempo, o prejuízo acumulado passa de US$ 130 bilhões, e a própria empresa avisa que o crescimento do passado não garante o do futuro.

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A conta da computação é o ponto mais sensível. A Anthropic assumiu contratos de centenas de bilhões de dólares que vão até 2045, enquanto a maior parte da sua receita depende do quanto os clientes usam, mês a mês. É como assinar o aluguel de um galpão gigante por 20 anos contando que a loja vai continuar lotada: se o movimento cair, o boleto continua chegando. E o prejuízo de US$ 80,7 bilhões, embora seja em grande parte contábil, vem de títulos que vão virar ações e diminuir a fatia de quem comprar na bolsa.

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Quem comprar a ação terá participação no resultado, mas pouca influência nas decisões. Com o fundo independente escolhendo a maioria do conselho e sete fundadores com 50,1% dos votos, o investidor comum entra com o dinheiro e fica sem poder de decisão. Google, Meta e SpaceX também blindam o controle dos fundadores. A empresa argumenta que o desenho protege a missão de segurança da pressão por resultado de curto prazo; críticos lembram que ele também reduz a fiscalização sobre um grupo pequeno de pessoas.

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A longa lista de riscos informa, mas também protege. Detalhar tudo o que pode dar errado é obrigação de quem vende ações ao público e serve de escudo jurídico caso algo aconteça. O que chama atenção é a natureza dos alertas, de modelos que resistem a ser desligados a riscos para a humanidade, num momento em que Dario Amodei pediu, no mês passado, que o setor desacelerasse. Com acionistas cobrando resultado a cada trimestre, vai ficar mais difícil conciliar esse discurso de cautela com a pressão por crescimento.

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O IPO virou um teste para o setor inteiro. Se a estreia for bem, reforça a tese de que a IA pode virar negócio lucrativo; se a procura decepcionar ou as ações caírem depois, o efeito pode se espalhar para fabricantes de chips e gigantes da nuvem que têm a Anthropic como cliente e sócia. Para quem usa o Claude, a pressão por receita tende a aparecer em preços, limites de uso e no ritmo dos lançamentos.

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O que o mundo está dizendo sobre isso

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Seria ridículo dizer que não vai haver demanda por isso.
Avery Marquez (Renaissance Capital, consultoria especializada em IPOs), em declaração ao Yahoo Finance

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O crescimento e o lucro futuros desta empresa já estão sendo embutidos no preço.
Sinan Aral (professor do MIT Sloan e investidor em IA), em declaração à CNBC

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O IPO mais ridículo de 2026.
New Constructs (empresa independente de pesquisa financeira), em relatório de 7 de outubro

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Mesmo abrindo capital, a Anthropic vai continuar sendo, na prática, uma empresa privada.
Business Insider

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Opinião

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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Fonte original: www.uol.com.br

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