O que está em jogo para o futuro da IA nas eleições de hoje dos EUA

O que está em jogo para o futuro da IA nas eleições de hoje dos EUA
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Os americanos vão às urnas nesta terça nas eleições de meio de mandato, as primeiras em que a inteligência artificial aparece como tema de campanha, com milhões de dólares de grupos ligados ao setor e consultas populares sobre data centers. O resultado não deve criar uma lei de IA de imediato, mas vai indicar se defender regras para a tecnologia, ou combatê-las, rende votos antes da corrida presidencial de 2028.
*Numa pesquisa da CNBC, 63% dos eleitores registrados disseram ser contra um data center de IA a até 16 quilômetros de casa; só 13% apoiam.
*Na mesma pesquisa, 52% querem pausar o desenvolvimento de IA avançada até o Congresso aprovar regras de segurança, contra 32% que preferem seguir em frente para não ficar atrás da China.
*Eleitores de sete estados votam hoje 34 consultas populares sobre data centers, mais da metade delas em Ohio, segundo a Fox News.
*Neste ciclo, foram gastos US$ 137,6 milhões em anúncios de TV sobre data centers, 77% deles por democratas, segundo a consultoria AdImpact, citada pela revista Time.
*Ainda assim, o tema está longe de ser o principal: numa pesquisa Gallup, os data centers ficaram em 10º lugar entre as preocupações dos eleitores, atrás de economia e saúde.
*A confiança nos partidos é dividida: na pesquisa da CNBC, 32% confiam mais nos democratas para lidar com os data centers e 24% nos republicanos; numa pesquisa NYT/Siena de setembro sobre IA em geral, 42% preferiam os republicanos e 40%, os democratas.
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*Super PACs ligados à IA – comitês que podem gastar sem limite em campanhas, desde que não se coordenem com os candidatos – declararam US$ 81,3 milhões em gastos neste ciclo até 30 de outubro, segundo levantamento do site FourWeekMBA com dados da FEC (Federal Election Commission), o órgão que fiscaliza as eleições federais.
*De um lado está a rede Leading the Future, com US$ 37,5 milhões em gastos, bancada pela gestora Andreessen Horowitz e pelo cofundador da OpenAI Greg Brockman e sua mulher; ela defende uma regra nacional única e mais leve para a IA.
*Do outro, a rede Public First, com US$ 43,8 milhões, comandada por um ex-deputado democrata e um ex-deputado republicano, apoia candidatos dos dois partidos que querem mais regras para a IA.
*A Public First recebeu pelo menos US$ 20 milhões da Anthropic, dona do Claude, que diz que o dinheiro vai para política pública e educação, e não para gastos eleitorais.
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*Segundo a Axios, os dois grupos atuaram em quase 50 disputas, mas seus anúncios de TV e internet quase não falaram de IA.
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*Elon Musk foi, de longe, o maior doador destas eleições, com mais de US$ 400 milhões, e disputas como as do Senado em Ohio e no Texas viraram teste da influência dele.
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*Em Michigan, o democrata Abdul El-Sayed, candidato ao Senado, disse que a IA é o tema mais importante desta eleição e defende uma agência federal só para regulá-la; seu adversário, o republicano Mike Rogers, recebeu apoio de gastos ligados a Musk.
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*Na Califórnia, o democrata Scott Wiener, autor de uma lei estadual de transparência para IA que dividiu o setor, disputa uma vaga na Câmara.
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*No Colorado, o democrata Manny Rutinel, que patrocinou a primeira lei abrangente de IA do país, também disputa uma vaga na Câmara.
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*Em Ohio, a conta de luz e os data centers viraram munição na disputa ao Senado entre o republicano Jon Husted e o democrata Sherrod Brown; Husted propôs que os data centers paguem pelas melhorias na rede elétrica.
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*A defesa de regras não é exclusiva de um partido: o senador republicano Josh Hawley, por exemplo, propõe responsabilizar empresas de IA por danos.
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*O centro da briga é se uma lei federal deve passar por cima das leis estaduais de IA: o governo Trump defende uma regra nacional única e já assinou um decreto contra leis estaduais que considera excessivas.
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*Para Blair Levin, da Universidade de Nova York, os democratas devem ficar com a Câmara e barrar uma lei que derrube as regras estaduais, enquanto Trump não deve assinar uma que as mantenha.
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*Mesmo sem lei nova, uma mudança no controle do Congresso pode trazer investigações, pedidos de documentos e audiências mais duras sobre as empresas de IA, segundo advogados do escritório Holland & Knight ouvidos pelo site CFO Dive.
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*Uma pesquisa citada pelo CFO Dive mostra apoio a regras federais mais rígidas para a IA entre 80% dos eleitores democratas e 61% dos republicanos.
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A IA entrou na eleição americana pela porta da conta de luz, e não pela dos robôs. Para a maioria dos eleitores, a discussão sobre superinteligência ou segurança dos modelos ainda soa distante. Já um galpão de computadores que pode encarecer a energia e consumir água no bairro é um problema que dá para ver da janela – e é aí que a tecnologia virou assunto de campanha.
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O dinheiro do setor fala alto, mas evita falar de IA. Os grupos ligados à indústria gastaram dezenas de milhões e, mesmo assim, preferiram anúncios sobre outros temas, sinal de que defender ou atacar a IA ainda não rende votos sozinho. Também chama atenção que a disputa entre empresas rivais, como OpenAI e Anthropic, saiu dos laboratórios e chegou às urnas, com cada lado financiando a sua visão de regulação.
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O resultado de hoje dificilmente vai produzir uma lei de IA amanhã. Seja qual for a composição do novo Congresso, o impasse sobre quem regula, o governo federal ou os estados, deve continuar. O que pode mudar é o tom: mais cobrança e investigação sobre as empresas, ou a continuidade de uma abordagem mais leve, baseada em compromissos voluntários.
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Para o Brasil, a eleição americana funciona como espelho. Os mesmos dilemas, como quem deve regular a IA e quem paga a conta da infraestrutura que ela exige, tendem a aparecer por aqui à medida que o uso da tecnologia e os data centers avançam. E o caso americano mostra que, quando a conta chega ao bolso do eleitor, o tema deixa de ser técnico e vira político.
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O Congresso tem mais disposição do que nunca para tratar da segurança da IA, mas ainda não há consenso.
Marissa Serafino (advogada do escritório Holland & Knight), em declaração ao CFO Dive
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Isso vai ser um grande tema na nossa política.
Brendan Steinhauser (CEO da Alliance for Secure AI, grupo que defende mais salvaguardas para a IA), em declaração à NPR
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A liderança em inovação de IA vai definir o crescimento econômico e a segurança nacional.
Zac Moffatt e Josh Vlasto (estrategistas que comandam a Leading the Future), em comunicado
Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.
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Fonte original: tilt.uol.com.br
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