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Vírus de fábrica em TV boxes afeta 150 mil aparelhos no Brasil

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Vírus de fábrica em TV boxes afeta 150 mil aparelhos no Brasil

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Uma operação internacional liderada pelo Google com forças policiais e empresas de segurança desmantelou uma rede cibercriminosa que infectou mais de 1,3 milhão de aparelhos de TV Box com Android em vários países, incluindo o Brasil. O XCPE é um programa malicioso que não dependia de erros de quem comprou o equipamento: já saía instalado de fábrica pela empresa chinesa Videostrong para alugar a internet das vítimas para uso em golpes virtuais.

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Como o golpe funcionava na TV box

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O aparelho transmitia vídeos normalmente enquanto operava em segundo plano. Para a família que comprou a caixinha, o equipamento parecia funcionar de forma comum, reproduzindo filmes, séries e canais de streaming sem emitir qualquer aviso de travamento ou perigo na tela.

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Os criminosos alugavam o Wi-Fi da vítima para disfarçar outros crimes em uma enorme botnet. O principal negócio do esquema era transformar a TV Box em um “proxy residencial” (um intermediário que empresta a conexão de uma casa comum). Hackers de qualquer lugar do mundo pagavam para navegar por meio daquela caixinha e disparar fraudes, fazendo com que ataques a empresas e bancos parecessem vir do endereço de uma residência comum no Brasil.

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A caixinha clicava em anúncios invisíveis para roubar dinheiro. O sistema baixava programas ocultos que geravam visualizações e cliques simulados em anúncios publicitários na web, desviando verbas de marcas anunciantes diretamente para as contas da quadrilha.

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Os golpistas tinham ferramentas para espiar a tela e roubar senhas. Investigadores do Google identificaram que os operadores do vírus conseguiam capturar imagens da televisão ao vivo, interceptar o tráfego que passava pelo roteador doméstico e ter acesso a contas e códigos de login.

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Brasil é o 2º mais atingido no mundo

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O país registrou mais de 150 mil caixinhas contaminadas pelo vírus de fábrica. O levantamento de telemetria da empresa de cibersegurança TrendAI identificou exatamente 150.080 aparelhos infectados em território brasileiro. O volume coloca o Brasil como o segundo país mais atingido no planeta, ficando atrás apenas da Malásia (300.390) e à frente de Iraque (124.298), México (94.588) e Taiwan (88.350).

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Mapa do relatório Trend AI, da Trend Micro, com total de TV boxes infectados no mundo todo
Mapa do relatório Trend AI, da Trend Micro, com total de TV boxes infectados no mundo todo Imagem: Divulgação/Trend Micro

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O total brasileiro supera com folga nações desenvolvidas somadas. Para efeito de comparação, mercados como Estados Unidos (43.871), Alemanha (39.065) e Austrália (34.206) registraram apenas uma fração do estrago visto no Brasil, refletindo a grande circulação de conversores sem marca ou clandestinos nas residências do país.

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O vírus foi colocado em mais de 200 modelos diferentes de conversores. A fabricante chinesa Videostrong atua com marcas próprias (como a Mecool) e também como fornecedora terceirizada de caixinhas genéricas (white-label, aparelhos que saem sem logotipo da fábrica e recebem o nome de diferentes revendedores no comércio eletrônico).

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A fabricante burlou a certificação do Google com um vírus adormecido. A dona do Android informou que o código malicioso foi programado pela empresa chinesa para ficar “invisível” durante os testes técnicos obrigatórios de segurança, despertando e baixando arquivos perigosos apenas depois da primeira inicialização feita pelo comprador em casa.

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Ranking do relatório Trend AI, da Trend Micro, com total de TV boxes infectados no Brasil
Ranking do relatório Trend AI, da Trend Micro, com total de TV boxes infectados no Brasil Imagem: Divulgação/Trend Micro

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Por que formatar o aparelho não resolve

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Restaurar para os padrões de fábrica não apaga o programa espião. O vírus foi inserido no firmware (o software básico que faz as peças do aparelho ligarem e funcionarem). Como está gravado na memória profunda do equipamento, o sistema reinstala o invasor automaticamente assim que a smart TV Box é reinicializada.

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A identificação manual é quase impossível para o consumidor comum. O Google publicou alguns indicadores técnicos — como pastas com os nomes “x.cpe” e “com.oemservice” —, mas esses arquivos costumam ficar ocultos e desativam o Google Play Protect (ferramenta nativa do Android que bloqueia vírus), impedindo alertas de segurança.

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A derrubada dos servidores cortou as ordens, mas não limpou os aparelhos. A ação internacional conseguiu desativar os computadores centrais que enviavam comandos às caixinhas e o Google rompeu contratos comerciais com a Videostrong. No entanto, o código adormecido segue na memória dos aparelhos já vendidos. Quem desconfia de infecção deve desconectar a caixinha do Wi-Fi e do cabo de rede.

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A Videostrong não se manifestou: a fabricante não respondeu a pedidos de comentário da imprensa, manteve silêncio em seu perfil no LinkedIn e seu site oficial saiu do ar após o desmantelamento da rede.

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Como identificar aparelhos seguros

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Aparelhos clandestinos ou “piratas” são os que oferecem maior risco. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), por meio do movimento “Fique Esperto”, alerta que caixinhas não homologadas — principalmente as comercializadas ilegalmente com a promessa de liberar canais pagos de graça — costumam subsidiar o preço baixo transformando a rede doméstica do comprador em arma de cibercrimes.

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O consumidor deve checar o selo físico de homologação da agência. Conversores e TV boxes legalizados para venda no Brasil trazem obrigatoriamente na embalagem e no próprio corpo do aparelho o selo da Anatel contendo o código de certificação oficial.

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É possível consultar a lista de modelos aprovados no site do governo. Antes de comprar, o internauta pode acessar o portal oficial da Anatel (gov.br/anatel) e fazer uma busca no sistema pelo número de homologação ou pelo modelo do equipamento para confirmar se ele passou pelos testes laboratoriais de segurança elétrica e cibernética.

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Dispositivos certificados com Android TV oferecem barreiras reais de proteção. Caixinhas homologadas e certificadas pelo Google recebem atualizações automáticas de sistema, mantêm a checagem diária do Google Play Protect ativa e não vêm adulteradas de fábrica, garantindo que o sinal de internet da residência não seja interceptado por terceiros.

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Fonte original: www.uol.com.br

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