‘Guerra Fria da IA’ entre EUA e China não impacta investidores e relacionamento de instituições

Existe uma bolha da inteligência artificial?
Alex Dias, ex-presidente do Google e fundador da São Pedro Capital, diz que as empresas estão mais maduras do que na bolha das ponto com. Crédito: Lucas Thomas e Alex Dias
As disputas entre Estados Unidos e China pela liderança da IA, que incluem acusações de roubo de tecnologia e restrições de acesso a componentes, não afetam as relações entre investidores e instituições financeiras de ambos os países, que seguem mantendo fortes vínculos no segmento. É o que aponta um levantamento divulgado pela Reuters nesta terça-feira (22).
De acordo com a agência de notícias, a competição tecnológica entre as potências rivais pode ser comparada à Guerra Fria, período de tensão geopolítica, militar e ideológica entre os EUA e a União Soviética. Mesmo assim, o mercado financeiro segue buscando oportunidades nos dois lados, atravessando essa divisão e podendo até evitar uma ruptura completa.
Capital americano em empresas chinesas e vice-versa
Baseada em informações disponíveis em documentos públicos, a reportagem mostra que bancos americanos participaram de 19 operações ofertas públicas iniciais (IPOs) de empresas de alta tecnologia sediadas na China em 2026. Esses movimentos totalizaram US$ 17,2 bilhões, ou R$ 88,1 bilhões pela cotação do dia.
- Isso equivale a cerca de 30% da emissão de ações do setor no período, no mercado chinês;
- Goldman Sachs, Morgan Stanley, JPMorgan, Citigroup e Bank of America estavam entre os principais envolvidos nessas operações de abertura de capital no mercado asiático;
- Essas ofertas abrangem, principalmente, ações de empresas de IA, semicondutores e infraestrutura tecnológica;
- O movimento também acontece no sentido oposto, com investidores baseados na China direcionando grandes volumes de recursos para os EUA.

Investidores interessados em faturar com a IA não têm sido influenciados pela nacionalidade das empresas. (Fonte: Getty Images)
Segundo a publicação, investidores chineses injetaram US$ 18 bilhões (R$ 92,2 bilhões) em empresas de IA americanas em 2025. Fabricantes de semicondutores também estão entre as mais beneficiadas, incluindo marcas como Micron, Sandisk, AMD, Lam Research e Applied Materials.
O relatório afirma, ainda, que o valor de ações americanas pertencentes a residentes na China e em Hong Kong aumentou 23% em um ano, chegando a mais de US$ 750 bilhões (R$ 3,8 trilhões). Além disso, fundos chineses autorizados a investir no exterior detêm cerca de US$ 150 bilhões (R$ 768 bilhões) em ações dos EUA.
Efeito ambíguo
Outra contradição apresentada pela reportagem é que as restrições impostas pelo governo americano à China podem ter um resultado bem diferente do esperado. Elas estariam estimulando o desenvolvimento de alternativas avançadas no mercado concorrente, atraindo ainda mais investidores dos EUA.
“Haverá duas internets, duas pilhas de chips, dois manuais de regras, e seu portfólio precisa de um passaporte para ambos”, avalia James Buckley-Thorp, fundador da empresa de IA Atlian, indicando a possibilidade de dois grandes ecossistemas de IA coexistirem em um futuro próximo.
Neste cenário, os investidores teriam que continuar mantendo suas apostas nos dois mercados, sob o risco de escolher um só e perder dinheiro. Há, também, riscos relacionados às disputas políticas, que podem interferir em tais fluxos.
Possibilidade de cooperação
Em meio à Guerra Fria da IA, as duas lideranças do setor discutem a criação de um mecanismo para alertar, uma à outra, sobre possíveis riscos de perda de controle da inteligência artificial. O acordo tem relação com os incidentes recentes em que agentes de IA atacaram sistemas de terceiros durante testes.
Segundo o Secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, também há planos de chegar a um consenso quanto a objetivos e riscos comuns da IA. Essa parceria permitiria notificações mútuas sobre falhas que coloquem a segurança nacional em perigo, em qualquer um dos países.

Donald Trump e Xi Jinping devem se encontrar esta semana em Washington. (Imagem: China Pool/Getty Images).
“Acreditamos que, assim como em qualquer atividade transfronteiriça, passar da opacidade para uma maior transparência entre a primeira e a segunda maior potência mundial em IA é muito importante”, disse Bessent no domingo (20), como noticiou a Wired.
Há possibilidade de que a tecnologia faça parte da pauta do encontro entre os presidentes dos EUA e da China, Donald Trump e Xi Jinping, esta semana em Washington. As reuniões envolvendo os líderes estão previstas para acontecer entre quarta (23) e sexta-feira (25).
Os alertas sobre riscos da IA para o futuro da humanidade, que ganharam força nos últimos dias, aumentaram os pedidos para desacelerar os investimentos na área. Saiba mais detalhes nesta matéria.
Com informações de Reuters e Wired.
Fonte da notícia: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo https://www.estadao.com.br/tecmundo/inteligencia-artificial/guerra-fria-da-ia-entre-eua-e-china-nao-impacta-investidores-e-relacionamento-de-instituicoes/
André Luiz Dias Gonçalves



