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História da Sennheiser: conheça a trajetória da fabricante alemã de áudio

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Ranking das faixas mais populares, divulgado pelo Spotify, tem Ed Sheeran, Billie Eilish, Coldplay, The Weeknd e mais. Crédito: Ariel Liborio (Edição)

Poucas marcas conseguem transformar a especialização técnica em um símbolo cultural como aconteceu com a Sennheiser no campo do áudio. A empresa alemã se destacou ao longo das décadas em setores como o de microfones e fones de ouvido.

A companhia conseguiu se tornar referência no campo profissional de gravações e apresentações ao vivo, além de ser uma das favoritas de audiófilos. Aos poucos, ela também expandiu para novos mercados e até lançou produtos um pouco mais acessíveis ao consumidor.

Fora os grandes lançamentos, a trajetória dela é marcada por tradição familiar e mudanças corporativas recentes que arriscam parte do legado construído. A seguir, conheça ou relembre essa história e os grandes sucessos da marca.

Como surgiu a Sennheiser?

A trajetória da marca começa com uma pessoa: Fritz Sennheiser. Ele nasceu na cidade alemã de Berlim em 1912 e, desde criança, era fascinado por rádios e equipamentos de som.

Fritz se formou em engenharia elétrica e fez até doutorado na área. No período da Segunda Guerra Mundial, ele precisou trabalhar com a codificação de mensagens de rádio e conheceu ainda mais a fundo esses equipamentos.

Fritz Sennheiser (esquerda) e uma das primeiras fábricas do laboratório. Foto: Sennheinser/Divulgação

Com o fim da guerra e a Alemanha destruída, ele decidiu abrir a própria empresa. Ela começa com um simples laboratório em junho de 1945, em uma pequena cidade chamada Wedemark, no distrito de Hanover.

De Laboratorium Wennebostel ao nome Sennheiser

Junto com sete colegas, Fritz começa a fabricar instrumentos de medição, começando por voltímetros de tubo de vácuo. Nesse período, o empreendimento se chamava Laboratorium Wennebostel, ou Lab W.

Logo no começo, ela deu sorte de fechar uma parceria com a Siemens, já uma gigante do país. De início, a equipe de Fritz só forneceria peças e instrumentos de medição, mas logo começou a fabricar os seus primeiros microfones.

O sucesso na primeira década foi tanto que ela decidiu mudar a própria marca. Em 1958, o laboratório vira a empresa Sennheiser Electronic, agora com o sobrenome do chefe.

A Sennheiser conquista espaço no mercado

O primeiro microfone da companhia foi o Dynamic Microphone, ou DM-1, em 1946. Aos poucos, ela aumenta o portfólio e passa a fabricar equipamentos geofísicos.

No fim da década de 1940, surgem novos microfones, cada vez menores e com compensações de ruído. Com menos de uma década de vida, ela passou para mais de 200 funcionários em um ritmo acelerado de crescimento.

O importante microfone shotgun Sennheiser MD 82. Foto: Sennheinser/Divulgação

Porém, o primeiro produto realmente revolucionário veio em 1956, com o MD 82. Ele foi o primeiro microfone no formato “shotgun”, ou de espingarda, com um cabo comprido e capaz de capturar o som mesmo com a equipe estando um pouco mais distante.

Outro grande marco da década é o sistema de microfone sem fio para uso em TV, desenvolvido em cooperação com a emissora pública do país. O equipamento foi comercializado junto com a Telefunken por anos com o nome de Mikroport.

Já na década de 1960, a Sennheiser começa a pesquisar microfones condensadores e outras tecnologias, como secretárias eletrônicas e até monitores de bebês só baseados em áudio.

Ela também começa a virar referência em fones de ouvido com o HD 414, de 1968, o primeiro com abertura traseira do mundo. Mais leve, bonito e confortável do que rivais da mesma época, ele é até hoje um dos modelos mais vendidos da categoria.

Alguns microfones marcantes da Sennheiser

  • o unidirecional MD 421, um dos mais renomados da empresa e usado por décadas em estúdios, emissoras e palcos;
  • o microfone MD 441, um clássico de estúdios e gravadoras e foi usado durante décadas;
  • o microfone estéreo MKE 2002, que é posicionado na cabeça e permite gravações de áudio binaurais de forma mais barata e com altíssima imersão;
  • o MKH 816, que em 1987 rendeu prêmio honorário do Oscar pelas contribuições na indústria;
  • o MKH 800, um microfone condensador de estúdio pronto para formatos digitais;
  • o Sennheiser MD 425-T, por décadas adotado pelo apresentador Silvio Santos preso na altura da gravata, para que ele tivesse ambas as mãos livres.

Evolução de portfólio

Entre as décadas de 1970 e 1980, a Sennheiser continua lançando microfones e fones cada vez mais usados em emissoras de TV, coberturas esportivas e coletivas de imprensa.

Em 1982, Fritz deixa o cargo de presidente para o filho, Jörg, e se aposenta. Entre os produtos de destaque do período estão os fones de ouvido HD25, que foram populares pelo cancelamento de ruído e até ganharam uma reedição décadas depois.

O fone de ouvido Sennheiser HD 25 em edição especial. Foto: Sennheinser/Divulgação

Outro produto marcante na década seguinte é o fone de ouvido Orpheus, considerado um dos melhores do mundo em qualidade de áudio e vendidos em edição limitadíssima de unidades, virando um objeto de luxo.

Esse período é de desenvolvimento principalmente de tecnologias sem fio, marcado também pela conversão dela em uma empresa privada. Ela lança em 1997 um sistema de amplificação e controle de som para fones de ouvido chamado LUCAS ou DSP Pro, além de outro fone que virou um clássico pela altíssima fidelidade, o HD600.

A Sennheiser vai às compras

Só na década de 1990 é que a marca começa a internacionalização de alguns segmentos. Ela compra a fabricante de microfones Georg Neumann para ampliar o próprio catálogo e sai da Europa pela primeira vez, com escritórios nos Estados Unidos e Canadá.

No fim dos anos 1990, aparecem outros produtos de peso, como os fones sem fio estáticos RS 2400, a linha Evolution de microfones e o sistema de som individual Surrounder, que não parecia nada confortável.

A Neumann é uma marca que ainda pertence ao grupo alemão. Foto: Sennheinser/Divulgação

No começo dos anos 2000, ela entra em novos setores em uma união com a Demant, especializada em aparelhos de audição, e ao comprar a fabricante de alto-falantes Klein+Hummel.

A marca também tenta se voltar um pouco mais para o consumidor padrão com as linhas Street Line, Sport Line e Style Line de fones para uso casual e urbano. Dois anos depois sai a família Momentum de fones de ouvido, que virou uma linha bem versátil.

A troca de gestão na família

O ano de 2010 é marcado pelo falecimento de Fritz Sennheiser, o fundador da empresa, que morreu na Alemanha aos 98 anos.

Três anos depois, os netos dele, Andreas e Daniel Sennheiser, que já trabalhavam na companhia, passam a assumir cada vez mais responsabilidades e chegam ao cargo de diretores administrativos.

Silvio Santos e o microfone Sennheiser acoplado. Foto: Roberto Nemanis/SBT/Divulgação

É a terceira geração de Sennheisers na chefia e o desafio era grande de se adaptar a um setor em evolução. No aniversário de 70 anos, a empresa abre um campus de inovação em Wedemark para pesquisar novas tecnologias e lança a família AVX de gravação de som para câmeras.

A expansão se amplia em 2016 com o programa de tecnologia de áudio 3D AMBEO, lançando microfones, soundbars e headsets ao longo dos anos pra entrar no mercado de realidade virtual.

Em paralelo, saíram também fones menos conhecidos para jogos, o Game Zero, além de estrear os Momentum Wireless sem fio.

A empresa continua sob controle da família Sennheiser?

A década recente é marcada por uma sequência de vendas, separações e reversões de estratégia que deixaram a marca dividida. Tecnicamente, hoje existem duas Sennheiser, uma controlada pela família, outra pela parceira Sonova.

Em 2021, a empresa suíça de aparelhos auditivos Sonova comprou a divisão de áudio de consumo da Sennheiser, incluindo fones de ouvido e soundbars. A família manteve a divisão profissional (de microfones, broadcast, cinema e música ao vivo) e a marca Neumann.

Por alguns anos, a linha de consumo seguiu lançando produtos, enquanto a empresa familiar busca o “crescimento sustentável e independente” com equipamentos profissionais e mais premium

O problema? Agora em 2026, a própria Sonova mudou de ideia e está em busca de um comprador para esse setor de produtos, que ainda não apareceu até a publicação desta matéria.

Além disso, a joint venture Sennheiser Communications, mantida com a Demant, chegou ao fim em 2020. Com isso, a divisão de headsets corporativos e gamers virou uma empresa independente, a EPOS, sem participação da marca alemã.

Um fone de ouvido profissional da Sennheiser. Foto: Sennheinser/Divulgação

Fora a continuidade nos mercados de consumo e profissional, a Sennheiser também empreendeu para mercados mais modernos em busca de adaptação: ainda em 2019, ela virou dona da Dear Reality, especializada em algoritmos de áudio espacial e software de áudio para Realidade Virtual e Aumentada.

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Fonte da notícia: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo https://www.estadao.com.br/tecmundo/big-techs/sennheiser-historia-produtos-marcantes-e-mudancas-na-marca/

Nilton Kleina

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