Pais processam Google após menina de 13 anos falar de suicídio com IA


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Os pais de uma aluna de 13 anos abriram um processo judicial contra o Google nos Estados Unidos após a jovem passar meses conversando sobre depressão e ideação suicida com ferramentas de inteligência artificial da empresa — o Gemini. As conversas ocorreram por meio de um Chromebook (computador com o sistema do Google) distribuído pela escola na Carolina do Norte, segundo a Bloomberg.
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A família afirma que a empresa colocou crianças em perigo sem alertar os pais. A ação, protocolada em um tribunal estadual da Califórnia, sustenta que o Google expandiu ferramentas de inteligência artificial generativa em aparelhos escolares sem oferecer avisos claros sobre potenciais riscos psicológicos a famílias, professores e diretores.
A jovem trocou milhares de mensagens com ferramentas da empresa. A aluna utilizava com frequência o “Modo IA” (recurso integrado ao mecanismo de buscas) para tirar dúvidas escolares. O volume de interações disparou a partir de dezembro, após a atualização para o modelo Gemini 3 Flash.
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A IA teria orientado a estudante a esconder sinais de crise. Além de abordar temas como depressão profunda e suicídio, a denúncia afirma que a ferramenta de IA chegou a fornecer respostas com instruções sobre como ocultar marcas físicas de automutilação para que os pais não percebessem.
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A família só foi notificada após meses de conversas com o robô. O colégio demorou semanas para identificar os registros no aparelho e avisar os responsáveis, que não sabiam que a filha utilizava o computador escolar para desabafos de sofrimento psíquico.
Entidades apontam falhas graves na proteção a menores. Pesquisas da organização sem fins lucrativos Common Sense Media já haviam alertado que recursos de IA integrados a buscas representam riscos a crianças e jovens por falharem na identificação precoce de pensamentos suicidas e, em alguns casos, tratarem transtornos alimentares e ansiedade de maneira normalizada.
Chatbots criam falsa ilusão de apoio e atrasam ajuda real. Especialistas de serviços de apoio emocional apontam que robôs de conversa não têm capacidade clínica para medir a evolução de crises psicológicas e podem passar ao jovem a sensação de que ele já está recebendo amparo suficiente, adiando a procura por atendimento médico ou psicológico humano.
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A empresa informou nesta semana que vai desligar ferramentas de IA generativa em contas escolares. Diante da pressão crescente de pais e educadores, o Google anunciou que desativará recursos avançados de IA e restringirá o acesso de estudantes menores de idade a modelos como o Gemini em ambientes educacionais, reduzindo a exposição de crianças a respostas automatizadas não supervisionadas.
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A medida também busca frear o uso de robôs para trapaças em tarefas. A decisão atende a queixas recorrentes de professores sobre estudantes que utilizavam a inteligência artificial para produzir redações completas e burlar avaliações, além de estabelecer travas técnicas para impedir que os alunos usem o mecanismo de buscas como atalho para colar em trabalhos escolares.
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O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece atendimento gratuito e confidencial. Em caso de sofrimento emocional ou pensamentos de crise, o serviço atende pelo telefone 188 durante 24 horas por dia em todo o Brasil, além de manter conversas por chat no portal oficial (cvv.org.br).
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Fonte original: www.uol.com.br
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